As ofertas de Levítico, Jesus como Redentor

As ofertas de Levítico, Jesus como Redentor

As ofertas de Levítico, Jesus como Redentor

 

Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20.31)

Levítico é livro que trata da santificação do povo de Deus. O Êxodo lembra a conversão. Israel foi livre da escravidão do Egito, figura da escravidão do pecado, fez o Tabemáculo e estava ao pé do monte Sinai, onde Deus deu a Lei. Foi armado o Tabemáculo e a glória do Senhor o encheu, em forma de nuvem de dia e de fogo à noite (Êx 40.34,38).

Ali deu Deus as instruções sobre o cerimonial de Levítico, que representa todos os detalhes da obra de Jesus Cristo na cruz.

Quem estuda cuidadosamente este livro, vê que antes pouco sabia da razão pela qual Jesus morreu crucificado.

A tipologia de Jesus no livro de Levítico está nas cinco ofertas no Dia da Expiação e nas festas do capítulo 23. Propriamente no capítulo 23, a parte mais interessante é a oferta das primícias.

As cinco ofertas são descritas nos capítulos 1 a 7 e explicam tudo que foi realizado no Calvário. Formam um todo, mas podem ser estudadas separadamente, assim será dada maior atenção aos pormenores.

 

Fatos a Respeito das Cinco Ofertas

1- Foram ordenadas ainda que eram voluntárias.

2- Todas, exceto a de manjares, tinham sangue.

3- Todas, exceto a de manjares, eram expiatórias.

4- O sangue derramado era um sacrifício, a entrega de uma vida, uma substituição.

 

As Cinco Ofertas em Ordem

1 - O holocausto - (com sangue) 1.1-17 e 6.8-13.

2 - A oferta de manjares - (sem sangue) 2.1-16; 6.14-23.

3 - A oferta pacífica - (com sangue) 3.1-17; 7.11-34; 19.5-8; 22.21-25.

4 - A oferta pelo pecado - (com sangue) 4.1-35; 6.24-30.

5 - A oferta pela culpa - (com sangue) 5.14-19; 7.1-17. Cristo como holocausto - Pela perfeita obediência até a cruz,

Ele satisfaz a justiça. O primeiro homem desrespeitou a Deus. O segundo o glorificou. Pela obra da cruz veio mais glória para Deus do que a que Ele perdeu pela queda de Adão. Esta oferta é a que vem em primeiro lugar.

Cristo e a oferta de manjares - Nesta aparece sua perfeição. Depois de apresentar o sangue precioso que nos deu a paz, Ele alegra a Deus pelo que é em si mesmo.

Cristo e a oferta de paz - Colocando-se entre Deus e os homens, Jesus Cristo nos trouxe a paz. Esta oferta encerra o significado da reconciliação.

Cristo e a oferta pelo pecado - O Evangelho ensina que Ele se ofereceu por nossos pecados e agora pode perdoar.

Cristo e a oferta de culpa - Uma falta, um pecado é consi­derado por Deus como uma dívida que tem de ser paga. É também um sujo ou impureza que deve ser lavada. Com a sujeira não poderíamos ir ao Santo dos Santos. Jesus Cristo se fez pecado por nós, para nos lavar. Seu sangue "nos purifica de todo o pecado'' (1 Jo 1.7b). "Se alguém pecar, temos um advogado" (1 Jo 2.1b).

O livro de Levítico começa com a voz do Senhor chamando Moisés, da tenda da congregação (Lv 1.1b). Lembra a voz dos céus que disse: "...Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo'' (Mt 3.17b).

A exortação aqui não se dirige ao pecador perdido, mas aos que têm um pacto com Deus e aos corações movidos pela gratidão, a ponto de trazerem uma oferta a Deus.

Fala aos que voluntariamente desejam trazer alguma coisa que Ele aprova. O que trazem lembra Jesus Cristo.Aqui não se trata de obrigação. É "quem quiser", "qualquer pessoa", "se alguém..."

 

As Cinco Ofertas e os Evangelhos

A oferta de manjares (sem sangue) representa a perfeição do Homem Jesus.

Mateus, apresenta o perfeito Messias de Israel;

Marcos, o Servo perfeito;

Lucas, o Varão perfeito;

João, o Filho de Deus feito carne.

 

As Quatro Ofertas de Sangue e os Quatro Evan­gelhos

Mateus - Oferta pela culpa - Cristo encontra o pecador no momento de sua necessidade, quando ele reconhece sua dívida para com Deus. O livro se ocupa com o pensamento do pecado como débito, ou uma ofensa ao governo divino.

Marcos - Oferta pelo pecado - A ênfase está no pecado como mancha ou nódoa. A oferta de pecado olha para a cruz.

Lucas - Oferta pacífica - A paz deve ser entendida como base da comunhão com Deus. Os capítulos 14 e 15 de Lucas mostram o caminho pelo qual Deus, em sua graça, vem ao encontro do homem e o atrai para si.

João - Holocausto - Nosso Senhor é a oferta queimada, dá-se a si mesmo, como um sacrifício de cheiro suave a Deus. Não há referência em João ao grito de angústia:”Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Este grito se refere ao pecado e à culpa. Só pode aparecer em Mateus e Marcos. Não poderia vir onde a morte é vista como aquilo que glorifica plenamente a Deus num mundo onde ele é desprezado.

 

Significação das  Ofertas

1  - Holocausto - consagração pessoal.

2 - Manjares - Consagração dos bens.

3 - Pacífica - Comunhão com Deus.

4 - De Pecado - Perdão.

5 - De Culpa - Restituição.

 

A Oferta de Holocausto (Lv 1.1-17; 6.8-13; 7.8)

Era diferente das outras quatro, porque nela a carne da vítima era toda queimada. Representa a consagração pessoal.

Um exemplo se acha nas igrejas da Macedônia que "...não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus" (2 Co 8.5). É a consagração completado próprio ser, para a obra de Deus.

 

Tipifica a obediência perfeita de Cristo

a) Jesus foi tentado a evitar aquele propósito: por Satanás (Mt 4.8), pelos discípulos (Mt 16.21-23) e pelo povo (Jo 6.15).

b) Jesus fez a vontade do Pai (Lc 2.29; Jo4.30; 5.30; 6.29; Hb 10.7).

c) Jesus teve um propósito fixo (Lc 9.5; 22.42; Jo 18.11).

 

As Quatro Qualidades de Animais

No holocausto eram permitidas quatro espécies de animais: a)novilho, b)carneiro, c)bode, d)aves.

Esta diferença era por causa da condição financeira do ofertante. Aplica-se na vida espiritual, ao grau de compreensão, ou à idéia que o crente tem da pessoa de Cristo.

Oferece uma oferta tipificada pelo pombo, o crente que tem uma idéia fraca de Cristo. Só sabe que é do Céu (as aves são do céu), porém não se desenvolve no testemunho. Sabe que vai também para o Céu, mas esquece a vigilância e o serviço a Deus.

O cabrito é a vida espiritual de quem só aprendeu que Jesus é o bode expiatório, sofreu por nós. Tal crente aceitou a salvação e sabe que nós temos de sofrer neste mundo, mas não se lembra de que Deus é "...de toda a consolação" (2 Co 1.3b).

Outros crentes vêem Jesus Cristo um pouco maior. Oferecem um carneiro. Têm-no como o "Cordeiro de Deus". Às vezes até evangelizam. Quem oferece pombos ou cabritos, não experimenta a consolação de Deus, não se lembra do amor aos perdidos nem do dever de evangelizar.

O holocausto com um novilho é compreendido pelo crente que vê Cristo como o servo, que veio servir. E procura manter o mesmo sentimento que houve nele (Fl 2.5).

O boi gasta sua força para servir, arrastando um carro, um arado, ou outro objeto que dê lucro aos homens.

Entrega seu corpo todo para proveito da humanidade. A carne, o couro, os chifres, os ossos, o estéreo, os nervos, e tudo mais é industrializado para dar alimento, conforto e vantagem ao homem neste mundo.

O crente espiritual vê Jesus Cristo como o boi, e segue o exemplo, paciência e serviço.

Este tipo de crente é mencionado nas palavras; "...Espalhou, deu aos pobres: a sua justiça permanece para sempre" (2 Co 9.9b).

O Salmo 40 é o Salmo do holocausto. Ali aparece o louvor da alma, apreciando este aspecto da obra de Jesus Cristo.

 

A Oferta de Manjares (Lv 2.1-16; 6.14-23; SI 16)

É diferente das outras quatro em cinco pontos:

a) Não era uma vida.

b) Não tinha sangue.

c) Não recebia imposição de mãos.

d) Não havia substituição.

e)  Não era pelo pecado.

Por a mão na cabeça representava identificação do ofertante com a vítima. Na oferta de manjares, não havia substituição do culpado por um inocente.

Esta oferta representa a consagração dos bens. Era um presente, uma dádiva de gratidão a Deus.

Consistia em alimentos: flor de farinha, óleo, sal e espigas tostadas. Junto com estes vinha o incenso. Não era uma coisa rara, mas uma substância que todos podiam ter em casa.

1 - Flor de farinha, a melhor farinha. Para chegar àquele ponto, era preciso esmagamento do trigo, que lembra o sofrimento de Jesus.

2 - Óleo ou azeite representa o Espírito Santo (At 10.38; Hb 1.9).

3 - Incenso representa a oração (SI 141.2; Lc 1.10; Ap 5.8).

4 - Sal, incorrupção e preservação. Significa que a consa­gração não é temporária, é eterna e incorrupta.

Eram proibidos

1 - Fermento, que sempre na Bíblia tem sentido de maldade, coisa rejeitada por Deus (Ver 1 Co 5.7-8).

2 - Mel, coisa agradável e nutritiva, mas que, sob a influência do calor, azeda. Representa os sentimentos naturais, a bondade humana que nem sempre permanece.

Em Jesus Cristo havia mais que os sentimentos naturais.

Era o amor divino, santo, aplicado ao homem, "...tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13.1b).

Só o amor de Deus em nossos corações pode fazer existir em nós os sentimentos aprovados por Ele.

Em relação a Jesus Cristo, a oferta de manjares fala de sua perfeição. O santo se tornou homem perfeito, sem pecado nem falta.

Também faz lembrar Jesus como o pão da vida, o pão que desce do Céu para nos alimentar.

A pessoa de Jesus é ligada à sua obra. O holocausto, com sangue, redimiu o pecador, e a oferta de manjares com sua per­feição alimenta e sustenta os que foram salvos pelo sangue.

A humanidade de Cristo não terminou com a morte na cruz. Ele continua sendo homem perfeito e santo, "...há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem'' (1 Tm2.5).

 

A Oferta Pacífica (Lv 3.1-17; 7.11-34; SI 85)

Diferente de todas as outras, porque nela o ofertante comia uma parte. Na de holocausto tudo era queimado para Deus. Nas outras três, o sacerdote tirava uma parte para si e seus filhos.

Representa a oferta pacífica - a comunhão com Deus.

Nesta oferta podia ser trazido para sacrifício:

- um novilho ou novilha (3.1-5);

- um cordeiro (3.6-11); - uma cabra (3.12-16).

Não era permitido o sacrifício de pombos, como na do holocausto.

O pombo ou rolinha era de menor valor financeiro. Espiritu­almente tem aplicação ao crente menos desenvolvido no conheci­mento de Jesus Cristo. O crente que só sabe que Jesus é do Céu e que vai encontrar com Ele no Céu, não cresceu. Não aprendeu a servir, não produziu o fruto do Espírito, não tem paz. Tal crente não faz a oferta pacífica.

Jesus Cristo cumpriu o sentido da oferta pacífica “Porque Ele é a nossa paz..." (Ef 2.14a). "...Por Ele é feito a paz pelo seu sangue..." (Cl 1.20a).

O peito era comido pelo sacerdote (7.30,31). Peito, lugar de afeição. Somos agora sacerdotes e nos alimentamos do amor de Cristo que nos dá a paz.

A espádua direita (7.32) também pertencia ao sacerdote. A força representada pela espádua é o poder que vem do Senhor Jesus, para seus servos realizarem a obra do testemunho neste mundo.

O sangue pertencia a Deus (v 20). O sangue trouxe o perdão dos pecados. Não pode haver comunhão sem perdão. O sangue de Jesus Cristo nos purifica. O ato de comer uma parte da oferta lembra o significado da Ceia do Senhor. Recebendo pela fé o que Jesus realizou na cruz, temos paz com Deus.

O crente tem obrigação de buscar a paz se quiser experi­mentá-la. Outras pessoas não podem estragar a minha paz. "Aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a" (1 Pe3.11). "Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus... guardará os vossos corações..." (Fl 4.6,7b).

 

A Oferta pelo Pecado (Lv 4.1-35; 5.1-13; 6.24-30; SI 22; 2 Co 5.21)

As ofertas de sangue têm duas classes: cheiro suave e restituição.

Holocausto e oferta pacífica são cheiro suave para Deus. As ofertas de pecado e de culpa não são, porque têm lugar quando há alguma coisa errada perante Deus.

A oferta pacífica lembra a comunhão com Deus e uns com os outros. Mas enquanto a alma não vir Cristo tomar o lugar do pecador, não tem paz.

Diferenças entre a oferta de pecado e de culpa:

O pecado aqui significa impureza, fraqueza, condição. A culpa é um ato, uma dívida. O pecado é a natureza má, a culpa, o erro. O pecado torna o pecador rejeitado por Deus pelo que é.

A culpa pelo que ele faz. Em Isaías 41.24 Deus diz: "...sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada...''. Menos do que nada é quantidade negativa, como o exemplo de quem tem dívidas e não tem cobertura para estas dívidas, suas finanças são menos do que nada.

Este é o valor do homem para Deus. Sendo menos do que nada, precisa da oferta de pecado, para se habilitar perante Deus.

Suas obras valendo menos do que nada, ele precisa da oferta de culpa para pagar sua dívida.

Eu sou purificado diante de Deus, mas pode aparecerem mim a manifestação do pecado.

Na morte de Jesus foi cumprida a oferta de pecado.”Deus o fez pecado por nós" (Hb caps 9 e 10; 2 Co 5.21).

Todas as ofertas são indicadas em Hebreus 10. "Sacrifícios" - "paz"; "oferenda" - "manjares"; "oferta queimada" - "holo­causto"; "pelo pecado" - "pecado e culpa".

O pecado referido nesta oferta é entendido pela expressão: “pecar por ignorância'' (Lv 5.15). É um pecado não deliberado.

Desde que Jesus morreu, só há um pecado deliberado; é a rejeição do Filho de Deus. Todos os outros são cometidos por ignorância.

Pedro disse aos que o crucificaram: "Pela vossa ignorância fizestes isso" (Atos 3.17). Paulo declarou: "Nenhum dos príncipes deste mundo o conhece; porque se o conhecessem nunca crucifi­cariam ao Senhor da Glória" (1 Co 2.8).

A oferta de pecado é daquele que deseja ser salvo. Quem recusa trazer a oferta de pecado, tem um pecado deliberado. É o caso tratado em Hebreus capítulo 6. Não se refere a um cristão falhar, mas à atitude de um esclarecido intelectualmente, certo da verdade que volta deliberadamente, recusa o Filho de Deus como Salvador.

"Do pecado, porque não crêem em mim" (Jo 16.9).

A Oferta de Culpa (Lv 5.14-16; 6.7; 7.1-7; SI 69)

A oferta de culpa apresenta o primeiro aspecto da obra de Cristo na cruz. Vem ao encontro do medo do pecador que dizia ansioso: “Como me salvarei das conseqüências de meu pecado?"

Cada pecado é uma ofensa à majestade do céu.

Uma falta contra o governo santo de Deus. Mesmo que seja contra o homem, é primeiro contra Deus. Davi pecou contra Urias, mas diz: "...contra ti somente pequei..." (S151.4a).

Depois clama com fé na cruz do Cristo que havia de vir:

"Purifica-me com hissope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve " (v 7). Este é o aspecto da cruz que nos vem com a oferta de culpa.

A razão de ser desta oferta está em Levítico5.15;6.7; A oferta tinha de ser "um carneiro sem mancha, conforme o valor em siclos de prata". Esta parte era a expiação da culpa. Ainda trazia o ofertante uma restituição especificada como “o quinto'' (a quinta parte do valor do carneiro). Esta parte era para o sacerdote. Uma coisa contra o Senhor era restituída ou paga com a oferta de pecado.

Quando o culpado reconhecia sua culpa, trazia não só o valor, mas o quinto como acréscimo para o sacerdote.

"Onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Rm 5.20b).

Deus recebia mais por causa do pecado do homem do que receberia senão houvesse pecado. Recebe mais glória do que a que perdeu.

O valor da obra de Cristo no Calvário não vai só ao encontro de todos os pecados dos que creêm nele, mas alcança todos os arrependidos em todo o Universo.

Cumprindo a oferta de culpa é que Jesus é chamado Cor­deiro.

No holocausto podia haver quatro animais a escolher; na pacífica, era gado ou gado miúdo, macho ou fêmea; na oferta pelo pecado, era oferecido uma cabra, mas pela culpa, só "um carneiro sem mancha". Jesus foi apresentado como "...o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29b). É "um Cordeiro, como havendo sido morto" (Ap 5.6a). "...como um cordeiro foi levado ao matadouro..." (Is 53.7b).

O Salmo 69 é o salmo de oferta de culpa. O versículo 9 é a confissão de nossos pecados ao Senhor.

Os versículos 20 e 21 descrevem o sofrimento do Salvador. O versículo 31 mostra a superioridade do Calvário sobre os sa­crifícios do tempo da Lei.

 

O Dia da Expiação (Lv cap. 16)

Era esta a mais importante de todas as festas do calendário dos judeus. O maior de todos os dias para eles. A razão de tão grande importância é que, naquele dia, era feita expiação de pecado: por Aarão e seus filhos; por todo o povo de Israel; e pelo Tabernáculo e seu mobiliário (vv 33 e 34).

Observado no dia dez do sétimo mês (Lv 23.27), era também dia de santa convocação (Nm 29.7).

A cerimônia do dia da Expiação consistia numa série de sacrifícios. Primeiro o sumo sacerdote Aarão oferecia um novilho por ele e por seus filhos. Levava para o interior do Santo dos Santos o sangue do novilho e o incensado com brasas e incenso sobre elas. A fumaça de incenso cobria a Arca e o Propiciatório. Espargia o sangue do novilho sobre o Propiciatório e no chão perante ele, sete vezes com o dedo (vv 11-14).

Esta era a purificação do Tabernáculo. Pela razão de estar entre o povo pecaminoso, tornava-se impuro e precisava ser puri­ficado (ver Hebreus 9.21).

A expiação pelo povo era feita por meio de dois bodes.

Escolhiam dois bodes e lançavam sortes: um era chamado do Senhor e outro, bode emissário (vv 5-10). O bode sorteado para o Senhor era degolado, o seu sangue era levado para dentro do véu, no Santo dos Santos, e o sacerdote fazia como com o sangue do novilho. Espargia sobre o Propiciatório e sete vezes com o dedo pelo chão, depois de colocar também o sangue nas pontas do altar (vv 15-19). Ali o sumo sacerdote entrava uma só vez no ano (Hb 9.7).

Esta vez era na cerimônia do Dia da Expiação. Depois de expiado o Santuário e a tenda da Congregação, era executada a parte referente ao outro bode.

"...então fará chegar o bode vivo'' (v 20b). Aarão punha as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessava a todas as iniqüidades e transgressões dos filhos de Israel e enviava o bode para um lugar deserto, pela mão de um homem escolhido para isso (vv 21,22). Esse bode levava sobre si as iniqüidades de todo o povo ao deserto, lugar também chamado terra solitária.

Há quem diga, sobre aqueles dois bodes, que o morto é tipo de Jesus Cristo e o emissário é tipo de Satanás. Que no futuro, os pecados de toda a humanidade serão lançados sobre Satanás. Não há uma só passagem bíblica que confirme tal idéia.

E pura imaginação de quem não segue o ensino da palavra de Deus. O bode emissário é chamado Azazel (Lv 16.8,18,26).

Na versão Brasileira está assim, e é a palavra no hebraico. Uma corrente antiga de judeus dizia que o sentido da palavra é demônio, mas um dicionário da autoria de um judeu define assim: ''Azazel, bode expiatório ou bode de afastamento" (Hebrew Analytical Lexicon, Benjamin Davidson, pag. 573).

Além desta definição, a Bíblia encerra uma lista de passagens dizendo que Cristo levou nossos pecados. Ele não somente morreu por nós mas levou para longe nossas iniqüidades.

a) Isaías 53.2-12: "...fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (v.6b). "...as iniqüidades deles levará sobre si" (v.11c). "Ele levou sobre si o pecado de muitos" (v.l2c).

b)  1 Pedro 2.24a: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados...".

c) Hebreus 9.28: "Ele voltará outra vez, sem pecado".

d) Miquéias 7.19: "Ele lançará todos os nossos pecados no fundo do mar".

e)Salmo 103.12: "Quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões".

Na cerimônia do dia da Expiação, o bode degolado é tipo de Jesus crucificado e o bode levado ao deserto, tipo de Jesus levando em seu corpo os nossos pecados.

 

Oferta de Primícias (Lv 23.9-17)

Tipo de Jesus e significado do domingo.

Consistia em oferecer a Deus o primeiro molho de espigas de trigo da colheita. O israelita apanhava as primeiras espigas que amadureciam e entregava ao sacerdote, que movia o molho; sim­bolizava a entrega a Deus do melhor da vida e do próprio ser. E é tipo da ressurreição de Jesus Cristo porque'' ...agora Cristo ressus­citou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem" (1 Co 15.20).

O dia em que se fazia oferta de primícias tem seu significado. "E ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos: ao seguinte dia do sábado o moverá o sacerdote" (vil). Assim as primícias só podiam ser apresentadas a Deus no domingo. Os homens discutem sobre o dia em que Jesus morreu, uns crêem que foi na sexta-feira, outros que foi na quarta e outros que foi na quinta. Deus não se importa que não saibam ao certo.

Quanto à ressurreição, porém, Deus quer que ninguém tenha dúvida. Todos os quatro Evangelhos fazem referência ao primeiro dia da semana (Mt 28.1; Mc 16.2; Lc 24.1; Jo 20.1).

O Salvador só poderia ressuscitar no domingo, para cumprir o que estava predito pela figura da oferta de primícias.

Mas vem outro domingo. "Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida: sete semanas inteiras serão. Até o dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias: então oferecereis nova oferta de manjares..." (vv 15,16). Havia uma cerimônia das primícias no domingo (v 11) e outra, com nova oferta de manjares, que queria dizer consagração ou comunhão, noutro domingo (v 16).

Este espaço de cinqüenta dias (v 16) era chamado Pentecoste, que quer dizer qüinquagésimo. Era a mesma coisa observada cinqüenta dias depois da Páscoa. Portanto, o Pentecoste era no domingo. A descida do Espírito Santo para habitar com a Igreja, cumprindo a promessa de Jesus, foi no domingo (Atos 2). Aqueles acontecimentos marcaram o começo da Igreja. Antes Jesus dizia: "edificarei minha igreja" (Mt 16.18b). No Pentecoste, quando desceu o Espírito Santo, começou a existir.

A oferta de Primícias era feita no domingo, no dia seguinte ao sábado (Lv 23. 11). É tipo da ressurreição de Jesus Cristo (1 Co 15.20), fato que se deu, segundo o testemunho dos quatro evange­listas, no primeiro dia da semana.

A oferta de Manjares, que servia de complemento à de Primícias, também vinha no domingo, "...no dia seguinte ao sétimo sábado..." (Lv 23.16a). Era tipo do Espírito Santo que desceu no dia de Pentecoste, também no domingo (At 2).

O domingo aparece pela primeira vez no livro de Levítico, livro da Santidade, prefigurando a ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo. Por isso os cristãos consideram santificado o domingo.