SIMBOLISMOS GERAIS II

SIMBOLISMOS GERAIS II

Símbolos gerais II

 

"Há...tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação" (1 Co 14.10)

 

FOGO

1.  Deus é chamado um fogo consumidor (Dt 4.24) com o sentido de Deus zeloso (Êx 20.5) que "...ao culpado não tem por inocente..." (Êx 34.7c). Assim saiu fogo do Senhor e consumiu a Nadabe e Abiú, porque ofereceram fogo estranho (Lv 10.2). Desceu fogo do céu e consumiu dois capitães cada um com cinqüenta homens, que foram prender o profeta Elias (2 Rs 1.10-12). Apareceu em visões aos profetas no meio do fogo (Is 6.4; Ez 1.4; Ap 1.14). O castigo de Deus é ilustrado pelo fogo que consumia (SI 18.6,12).

2. A presença e aprovação de Deus se manifestam pelo fogo caindo sobre os sacrifícios feitos a Ele. Houve uma tocha de fogo sobre sacrifícios feitos por Abraão (Gn 15.17), e caiu fogo, da parte do Senhor, sobre o holocausto oferecido por Elias, em desafio aos profetas de Baal (1 Rs 18.38).

3.  O fogo pode ser a perseguição ou as provações que o crente sofre. "...Passamos pelo fogo e pala água..." (SI 66.12b) "...quando passares pelo fogo não te queimarás, nem a chama arderá em ti" (Is 43.2b). "Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo...'' (I Pe 1.7a).

O fogo da tribulação serve para prova da fé e paciência, que nos traz conhecimento espiritual, "...a tribulação produz paciência" (Rm 5.3b; Tg 1.2,12).

4.  O fogo representa o tormento eterno, o inferno, que é chamado "o lago de fogo" (Ap 19.20; 20.14,15; 21.8).

Jesus falou da perdição como ".. .o fogo que nunca se apaga" (Mc 9.43b,44b,45b,46b,48b). Ainda: "...o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41b).

No juízo, o mundo será destruído com fogo. Os céus em fogo se queimarão, e os elementos, ardendo, se desfarão (2 Pe 3.10). "Mas os céus e a terra que agora existem... se guardam para o fogo, até o dia do juízo..." (2 Pe 3.7).

5.  O fogo ilustra a proteção de Deus para com o seu povo. "Eu, o Senhor, serei para ela um muro de fogo em redor..." (Zc 2.5).

Quando o profeta Elizeu estava ameaçado pelo rei da Síria, o exército cercou a cidade de Dota para prender o profeta. De manhã, o moço que acompanhava Eliseu, se levantou primeiro e, vendo o exército inimigo ao redor com cavalos e carros, disse: "...Ai, meu senhor! Que faremos?" (2Rs 6.15c).

Eliseu respondeu: "...Não temas; porque mais são os que "» estão conosco do que os que estão com eles (2Rs 6.16b). Em seguida Eliseu orou a Deus pedindo que o Senhor abrisse os olhos do moço para ver a proteção de Deus. O Senhor atendeu a oração, abriu os olhos do jovem e este viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu (2 Rs 6.12,17).

Além destes, o fogo ainda é símbolo do Espírito Santo. Este ponto será explicado no capítulo sobre símbolos do Espírito Santo. Também no julgamento dos crentes suas obras serão provadas pelo fogo(l Co 3.14,15).

 

 

MUNDO

O mundo é a terra, este planeta em que vivemos, figurada-mente tem vários sentidos na revelação bíblica.

 

1. A Humanidade

"...Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito..." (Jo 3.16a). "Se o mundo vos aborrece..." (Jo 15.18a). "...tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou..." (At 17.31a). "...Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo..." (2 Co 5.19). "Sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo" (Jo 4.42b).

 

2.  As Vantagens Materiais que Despertam a Cobiça

Na tentação de Jesus, o Diabo mostrou os reinos do mundo e a glória deles e ofereceu tudo a Jesus se este o adorasse (Mt 4.8,9).

Muita gente iludida com a glória do mundo, atende ao inimigo Satanás e o adora, por uma pequena parcela das coisas materiais.

Jesus diz "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?..." (Mt 16.26a).

Um companheiro de Paulo se desviou buscando o mundo. Foi Demas, que aparece na saudação aos colossenses (Cl 4.14). Era considerado por Paulo como cooperador junto com Lucas, na saudação a Filemom (Fm v 24). A última referência ao seu nome é uma história triste: "...Demas me desamparou, amando o presente século...'' (2 Tm 4.10). A palavra século aqui não representa espaço de cem anos, é a vantagem aparente do mundo. E a mesma que em Romanos 12.2, aparece como advertência: "E não vos conformeis com este mundo...".

 

3.  As Coisas Corrompidas pelo Pecado

João recomenda: "Não ameis o mundo... Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 Jo 2.15 e 17).

A mulher de Ló foi levada para fora de Sodoma pela mão do anjo, contudo sentia saudade da glória do mundo, olhou para trás e ficou transformada numa estátua de sal (Gn 19.26). Jesus adverte: "Lembrai-vos da mulher de Ló" (Lc 17.32).

 

VENTO

O poder de Deus é comparado ao vento ou manifestado pelo vento. Um forte vento operou a abertura do mar para os israelitas passarem (Êx 14.21). Em Isaías 27, Deus fala do povo de Israel; referindo-se ao castigo de sua desobediência, diz: "...Ele a tirou com o seu vento forte" (Is 27.8b).

Deus emprega "os quatro ventos" para juntar os filhos de Israel na sua glória futura (Ez 37.9) e para espalhar os inimigos (no caso, os elamitas - Jr 49.36).

Estes quatro ventos são entendidos assim:

Vento oriental ou vento leste, é devastação. No sonho de faraó, as sete vacas magras e as sete espigas fracas foram queima­das por um vento oriental e representavam sete anos de fome (Gn 41.23,27). como castigo pela idolatria de Israel, Deus resolveu espalhá-los diante da face do inimigo, por meio dum vento oriental (Jr 18.17).

Acerca do povo de Israel, comparado à videira, Deus fala deste modo: "...tocando-lhe o vento oriental, de todo não se secará?" (Ez 17.10b).

Vento ocidental é livramento. Com a praga dos gafanhotos no Egito, Faraó se humilhou por um pouco de tempo, confessou seu pecado e pediu que Moisés e Arão orassem para o Senhor retirar a praga. Deus mandou um vento ocidental fortíssimo, que levantou os gafanhotos e lançou-os no mar vermelho (Êx 10.16 a 19).

Vento norte é friagem: "...do norte o frio. Pelo assopro de Deus se dá a geada, e as largas águas se endurecem'' (Jó 37.9b, 10). "O vento norte afugenta a chuva..." (Pv 25.23b).

Vento sul traz calma:”ou de como os teus vestidos aquecem, quando do sul há calma sobre a terra?" (Jó 37.17). "...Nem tu, vento sul: assopra no meu jardim..." (Ct 4.16). E parte do versículo é "para que se derramem os seus aromas". A calma do crente, tipificada pela noiva, deseja que venha a calma, a paz em sua vida, para se espalhar o aroma do jardim que agrada o noivo, numa atitude e testemunho de que Jesus Cristo se agrade.

Vento, finalmente, é símbolo de doutrinas errôneas ou preju­diciais. "Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina" (Ef 4.14). Nossa casa espiritual, nossa convicção religiosa, é atacada por três poderes do mal: a chuva, o povo do mundo; os rios, as organizações da sociedade; e os ventos, as doutrinas falsas (Mt 7.24-27). O profeta Oséias diz de Efraim: "Apascenta-se de vento, e segue o vento leste" (Os 12.1a). Estava desprezando a Palavra de Deus e seguindo a mentira.

Cada dia aumenta o volume de doutrinas perigosas, quem não estiver firme na rocha que é Jesus Cristo, cairá.

 

FERMENTO

E sempre usada esta palavra na Bíblia com o sentido de maldade, influência contrária à santidade, ou coisa que estraga o ambiente espiritual.

Na comemoração da Páscoa, os judeus, por ordem divina, tiravam todo o fermento de casa e, durante os sete dias, quem comesse pão levedado, seria cortado de Israel (Êx 12.15). Também na oferta de Manjares, não era permitido o fermento (Lv 2.11).

Jesus recomendou que os discípulos se guardassem do fer­mento dos fariseus e dos saduceus. Eles pensaram que o Senhor falava do pão material. Quando Jesus lembrou a multiplicação dos pães, compreenderam que Jesus falava da doutrina dos fariseus (Mt 16.6 a 12). O fermento dos fariseus era a hipocrisia e orgulho de espiritualidade. O dos saduceus era materialismo (At 23.8), ne­gação da verdade de Deus.

Também Jesus advertiu sobre o fermento de Herodes (Mc 8.15). Herodes tinha astúcia de raposa. Reconciliou-se com Pilatos para condenar Jesus. Tomou a mulher do irmão e prendeu João Batista porque este o repreendeu. Continuou a viver com a mulher que pediu a morte do profeta (Mt 14.3-12).

Numa parábola, Jesus ensinou: "O reino dos Céus é seme­lhante ao fermento que uma mulher introduziu em três medidas de farinha, até que tudo seja levedado (Mt 13.33).

A idéia de "tudo levedado'' vem duas vezes nas epístolas de Paulo: "Um pouco de fermento leveda toda a massa" com o sentido de erro, de maldade (1 Co 5.6b e Gl 5.9). Ali claramente é um contraste entre o fermento da maldade e da malícia com “os asmos da sinceridade".

Há quem interprete a parábola do fermento dizendo que o fermento é o Evangelho e a massa a humanidade e a mensagem de Jesus vai alcançar todo o mundo. Houve uma corrente de teólogos ensinando que quando toda a humanidade fosse crente, Jesus viria estabelecer o Reino do Milênio.

Esta doutrina se chamava pós-milenialismo e foi criada pelo inglês Daniel Whiteby (1636-1726), que a chamou de "nova hipótese".

Não é possível conciliar com o ensino da Escritura o pensa­mento de conversão da humanidade toda. Quando Jesus vier, exercerá seu juízo contra os incrédulos vivos, antes de julgar os mortos (Ap 20).

Nas próprias palavras do Senhor, encontramos: "Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?'' (Lc 18.8b). O caminho da vida é estreito, poucos acertam com ele, a maioria irá pelo caminho largo até o fim.

O fermento é o erro, a falsidade da doutrina introduzida no Cristianismo. A mulher, a igreja visível, por falta de vigilância adotou o erro das doutrinas falsas, costumes ou programas con­trários à Palavra de Deus, numa intensidade que o Cristianismo, como organização, ficou todo estragado.

As três medidas podem lembrar os três filhos de Noé, de quem descende toda a humanidade. O fermento alcançou todos os povos da Ásia, da Europa e da África. Podem ser também as três doutrinas: a fé, a esperança e o amor (1 Co 13.13), atingidas pela falsificação.

A chamada maioria cristã não tem fé, porque não está firmada na redenção de Jesus. Não tendo certeza de salvação, vive sem esperança e, nesta condição, não participa do amor de Deus.

Um exemplo bem patente é a Igreja Católica Romana. Introduziu doutrinas contrárias ao Evangelho, a mediação dos anjos, o purgatório, as boas obras para alcançar a graça de Deus e outras. Hoje é uma organização sem a mensagem do Evangelho e separada de Jesus Cristo.

Outro triste exemplo é o dos protestantes nos países onde contam maioria. Uns grupos adotam uma teologia modernista ou teologia racional, que nega a infalibilidade da Bíblia, a divindade de Jesus Cristo, o poder da morte de Jesus para a regeneração do pecador e outras doutrinas fundamentais. Outros, dando ênfase ao "exemplo de Jesus", se esforçam somente na prática da bene­ficência, levantando fundos para ajudar os necessitados. Neste esforço omitem propositadamente a mensagem do novo nasci­mento pela fé em Jesus. Não falam, nem dão valor à necessidade de salvação e do perigo da perdição eterna.

Cumpre-se o que diz a parábola:”Está tudo levedado".

Estamos no cenário da Igreja de Laodicéia, Jesus diz a esta massa levedada: "Vomitar-te-ei da minha boca" (Ap 3.16b). A mensagem do Salvador, em seguida, se dirige ao indivíduo, porque cada um dará conta de si mesmos a Deus.

Em Laodicéia o mesmo Jesus continua: "Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei e ele comigo" (Ap 3.20).

A minoria que abre a porta do coração forma a Igreja de Jesus Cristo. É o pequeno rebanho (Lc 12.32). São os poucos que acertam com o caminho estreito (Mt 7.13).

Em cada país do mundo Jesus Cristo tem os dele, porém sempre minoria, porque a massa do chamado Cristianismo foi levedada pela semente do erro.

Outra aplicação da palavra fermento é devocional, vem em conselhos sobre a santificação. Aos coríntios, Paulo aconselha: "Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa... Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade" (1 Co 5.7a,8).