Templo de Salomão

Templo de Salomão
 Segundo alguns céticos da atualidade, o Templo de Salomão nunca existiu. Essa é uma afirmação muito utilizada por aqueles que desejar duvidar da veracidade histórica da Bíblia. Entretanto, sabemos da existência de três Templos que estiveram no Monte do Templo entre 960 a.C. e 70 d.C.
O primeiro, teve sua construção iniciada em 967 a.C. e destruição em 586 a.C. pelos babilônios.
O segundo, começou a ser reconstruído em 538 a.C., porém, passou cerca de 500 anos no processo de reconstrução, sendo concluído definitivamente, restaurado, pelo rei Herodes no período de 19 d.C. até 29 d.C.

Em termos históricos e arquitetônicos essa (Herodes) foi a terceira reconstrução do templo, porém, em termos religiosos foi a segunda porque a oferta dos sacrifícios não foi interrompida nesse meio tempo. Contudo, em 70 d.C. o exército romano destruiu o edifício.
A arqueologia tem prestado um grande serviço na comprovação de fatos bíblicos. Tanto é, que criou-se um novo ramo de arqueologia, a arqueologia bíblica. Esta, por sua vez, encontrou evidências do acampamento da décima legião romana no Monte Herzl em Jerusalém (a mesma legião que destruiu o Templo). De acordo com Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, o Templo samaritano foi destruído por João Hircano em 113 d.C. essas ruínas foram encontradas, e descobriu-se a sua espessura, que possui 1,82m. descobriu-se, ainda, as portas e altares, onde se encontram as cinzas e os ossos dos sacrifícios. Descobriu-se, também, edifícios adjacentes, que se supõe serem uma residência real e um edifício administrativo. Esses edifícios possuem sua planta semelhante a planta do primeiro Templo, construído por Salomão, que possuía o palácio, a sala do trono, a casa da filha do faraó , o pórtico das colunas e a casa do bosque do Líbano.
O Templo Samaritano foi descoberto abaixo da Igreja bizantina de Maria Teótoco, do século V. Os escritos de Flávio Josefo relatam que o Templo Samaritano (abaixo da Igreja Bizantina) seria uma réplica do Templo de Zorobabel, pois é relatado que um sacerdote do Templo apaixonou-se por uma mulher chamada Nikaso (filha de um líder samaritano). O fato da mulher não ser judia obrigou o sacerdote (Menaém) a escolher entre o sacerdócio e a mulher. Este optou pela mulher, perdendo então o acesso ao Templo. O sogro do ex-sacerdote (Sambalate) construiu então um “Templo rival”, também num monte, o Monte Gerizim fazendo de Menaém o sumo sacerdote.
De acordo com o historiador e arqueólogo Yitzhah Magen, a narrativa de Flávio Josefo está correta, pois se constatou que os samaritanos adotaram todos os padrões e costumes judaicos no “Templo rival”.
  Até 1967 o conhecimento do Templo de Salomão limitava-se a uma porção do “Muro das Lamentações” e a um trecho das Sagradas Escrituras. Sabia-se do Templo Samaritano (replica do Templo de Salomão), dos escritos de Flávio Josefo e outras evidências, porém, devido a impedimentos do governo muçulmano o Monte do Templo não poderia ser escavado, contudo em 1968 o arqueólogo Benjamim Mazar (com autorização) começou a realizar escavações na extremidade sul do muro ocidental e meridional do Monte do Templo, onde essas escavações coroaram a pesquisa já realizada – encontrou-se evidências da antiga existência do Templo e de sua glória.
  Uma das peças que mais marcou as escavações foi um pedaço da balaustrada superior do Templo que havia se partido em dois pedaços, um maior e outro menor, e se achava a inscrição (no menor): “Ao Lugar das Trombetas”. Esse era o lugar onde os sacerdotes tocavam as suas trombetas convocando o povo para verem a glória de Deus, e foi nesse lugar que Deus começou a convocar os arqueólogos para verem e mostrarem ao mundo a glória da veracidade de Sua Palavra – A Bíblia.
As escavações continuaram e à medida que se escavava se descobriam novas evidências, objetos e construções, onde o que mais se destaca é o “Arco de Robinson” – parte do apoio de uma grande escadaria que ligava a parte superior e a inferior do lado sudoeste do Monte do Templo.
Achou-se ainda a “Escadaria Monumental” no muro meridional e suas portas (portas duplas e triplas) que eram o acesso principal para a população entrar no Templo.
No muro ocidental do Monte do Templo realizou-se uma das mais problemáticas escavações, devido ao governo muçulmano. Escavou-se a uma profundidade de 15,8 metros, iniciando-se os trabalhos em 1968 e concluindo-se em 1985, sob a direção de Dan Bahat (ex-arqueólogo distrital em Jerusalém com a Autoridade das Antiguidades de Israel). As escavações descobriram a porção exposta do muro Herodiano que possuí um comprimento de aproximadamente 275 metros com 90 centímetros a 1,20 metro de largura e 1,82 a 2,43 metros de altura. O túnel era chamado de “Túnel dos Rabinos”, pois se acredita que era por ele que os sacerdotes que oficializavam no Templo passavam.
As características desse muro são impressionantes, pois existe um trecho em que há blocos de pedra que possuem 3,35 metros de altura e variam de 182 a 12,80 metros de extensão. Estima-se que a maior pedra tenha em torno de 4,57 metros de altura, 12,80 metros de comprimento e 4,26 metros de profundidade, sendo mais pesada que a maior pedra encontrada nas pirâmides do Egito!
A maior pedra da grande pirâmide pesa em torno de 10.000 quilos, enquanto que a pedraencontrada nas escavações do Templo pesa cerca de 545.000 quilos.
No decorrer do Túnel do Muro Ocidental descobriu-se ainda um das antigas portas do Monte do Templo. É uma porta grandiosa que dava para a plataforma do templo em frente ao local onde ficava o ‘Santo dos Santos’, porém devido a complicações com o governo muçulmano essa porta foi hermeticamente fechada.
A foto, ao lado, mostra um trecho do túnel, onde do lado direito encontramos uma parte do muro de sustentação do Templo dos dias de Herodes.
Sabemos que o Templo de Herodes foi construído imediatamente acima do Templo de Salomão, com a mesma estrutura e provável arquitetura. Pela Engenharia civil podemos concluir, a partir do ‘alicerce’, estrutura colossal que deveria possuir o Templo.
Para que o leitor possa se familiarizar com as dificuldades dessas escavações, citamos o exemplo de 1996 quando 53 pessoas foram mortas, em uma revolta, por causa da abertura à visitação pública de uma nova saída que dava acesso ao “Túnel Hasmoneano”.
“Os Hititas eram considerados como uma lenda bíblica até que sua capital e registros foram encontrados em Bogazkoy, Turquia. Muitos pensavam que as referências à grande riqueza de Salomão eram grandemente exageradas. Registros recuperados mostram que a riqueza na antiguidade estava concentrada com o rei e que a prosperidade de Salomão é inteiramente possível”.
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Começamos, então, a perceber que as afirmações do tipo: “não há arquitetura monumental em Jerusalém”, “não foram achadas arquiteturas monumentais em Jerusalém”, “Davi e Salomão eram líderes tribais”... não passam de afirmações infundadas e falsas. Afirmações desse tipo podem, um dia, ser catalogadas no Guiness Book, como a maior coletânea de informações superignorantes, ou quem sabe superdesinteressantes.
Curiosidades e Dimenções 

Desde a antiguidade encontramos a presença do templo, as cidades urbanas aparecem na Mesopotâmia com a construção inicial do templo, que era a casa do Deus, na Mesopotâmia o povo não tinha acesso ao templo, somente viam as imagens nas procissões. Depois das edificações do templo começavam as construções dos palácios. Semelhantemente aconteceu com os israelitas, o rei Salomão que construiu o primeiro templo de Jerusalém, o edificou antes de construir seu palácio.

O templo de Salomão era parcialmente restrito aos sacerdotes, os judeus tinham liberdade para circular, exceto no espaço sacerdotal, já os não judeus, em qualquer parte que eles adentrassem a punição era a morte. E ao contrário dos templos do mundo antigo, não havia nenhuma imagem para representar o Deus dos hebreus que era invisível, o edifício do templo era dividido em Santo e Santo dos Santos, onde somente o sumo sacerdote poderia entrar e nele estava a arca da aliança onde eram guardadas as tábuas da lei, entregue a Moisés.

Neste edifício eram guardadas também as vestes cerimoniais, os instrumentos musicais, os utensílios usados para o sacrifício e os tesouros do templo. Havia ainda engradados para alojar os animais destinados ao sacrifício, um depósito de lenha, uma padaria para o preparo do pão sagrado e um banheiro para purificação sacerdotal.

Segundo Ausubel: “O templo era construído em pedra lavrada, as paredes e os tetos de seu interior eram forrados de cedro e incrustados de ouro. O chão e as portas dobráveis eram feitas de abeto, os portais eram de madeira de oliveira. Todo o interior era ornamentado com figuras entalhadas que representavam querubins, palmeiras, flores e botões, tudo também recoberto de ouro” (1989, p. 883)

A decoração do templo de Salomão estava a cargo de arquitetos, ourives e escultores enviados de Tiro, Fenícia, pelo rei Hirão aliado de Salomão.  Por ser o primeiro templo a ser construído na Jerusalém antiga, ele não possuía um estilo próprio, todas as suas dependências, assim como seus objetos foram fortemente influenciadas por outros povos.

O culto no templo era ao som de música instrumental e coral, original em sua concepção pela ausência de adoração a imagens e uma total repulsa a prostituição cultual presentes na religiosidade de muitas civilizações antigas. A liturgia e toda beleza encontrada no templo remetia ao jardim do Éden, ao paraíso, um mergulho espiritual na busca do sagrado, do divino.

O templo era o local propício para o rito sacrificial, no período de Salomão aproximadamente em 955 a.C., as narrativas bíblicas atestam no livro dos reis por ocasião da festa dos Tabernáculos, que o rei, os sacerdotes e o povo participaram de um enorme banquete com o sacrifício de “vinte e dois mil bois, e cento e vinte mil ovelhas”. (Reis I 8: 63,  1998, p. 483)

Altar dos quatro chifres, utilizado para queima de incenso ou de pássaros, semelhante ao altar no pátio do Templo

Mas o período da construção do templo trouxe a Salomão muitas inimizades. Com a instituição e centralização do sacerdócio no templo, alguns sentiam rebaixadas as cerimônias realizadas nos antigos altares. Outro motivo de descontentamento foi o aumento na tributação e principalmente a necessidade de um grande contingente de trabalhadores, muitos deles retirados dos campos, o que prejudicava a produção agrícola.

Os recursos diminuíram consideravelmente, Salomão teve que entregar vinte cidades em pagamento ao rei de Tiro, o povo passou por momentos de abnegação. Mas ao final da construção a cidade de Jerusalém passou a receber uma grande quantidade de peregrinos que vinham de todas as partes, visitar e conhecer o templo. Além da sede espiritual, tinham também necessidades físicas e materiais, com isso traziam riquezas à Jerusalém.

O templo unificou a religiosidade israelita, trouxe ao povo a realidade de uma nação tecida pelo sagrado, uma busca incessante na antiguidade. “O Templo e a entronização de Javé permitiram, pois, que Salomão reivindicasse Jerusalém como herança eterna da Casa de Davi. A construção do Templo foi um ato de conquista, um meio de ocupar a Terra Prometida com respaldo divino” (ARMSTRONG, 2000, p. 79).

Segundo Flávio Josefo, historiador contemporâneo ao Segundo Templo, Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado, levando apenas sete anos para sua conclusão (2007, p. 386).  Que permaneceu de pé por 410 anos até a destruição pelos babilônios em 586 a.C.

325. 1 Reis 5. Hirão, rei de Tiro, tinha sido muito amigo de Davi e soube com grande prazer que aquele extraordinário príncipe sucedera no reino ao seu pai. Enviou-lhe embaixadores para dar testemunho de sua alegria e desejar ao novo rei toda sorte de prosperidade. Salomão escreveu-lhe nestes termos: "O rei Salomão ao rei Hirão: O rei, meu pai, tinha grande desejo de construir um templo em honra a Deus, mas não pôde fazê-lo por causa das guerras contínuas em que se achou empenhado e que não lhe permitiram deixar as armas senão depois de vencidos e feitos tributários os seus inimigos. Agora, que Deus me faz a graça de desfrutar grande paz, estou resolvido a empreen­der essa obra, a qual Ele predisse a meu pai que eu teria a felicidade de come­çar e de terminar. É o que me leva a rogar-vos enviar-me alguns de vossos operários para cortar, com os meus, no monte Líbano, a madeira necessária para esse fim, pois, segundo dizem, não há outros tão hábeis nisso como os sidônios, e eu os pagarei como vos agradar".

O rei Hirão recebeu com alegria essa carta e respondeu: "O rei Hirão ao rei Salomão: Dou graças por terdes sucedido no trono ao rei vosso pai, que era príncipe muito sensato e virtuoso, e farei com alegria o que desejais de mim. Mandarei que cortem também, nas minhas florestas, muitos troncos de ciprestes e de cedros, que mandarei levar por mar, ligados uns aos outros, até a margem de vosso território, no lugar que julgardes o mais cômodo, para serem depois levados a Jerusalém. Rogo-vos, em troca, que me mandeis uma partida de trigo, de que temos falta nesta ilha,* como sabeis".

Podem-se ainda ver nos dias de hoje os originais dessas duas cartas, não somente nos nossos arquivos mas também nos dos tírios. Se alguém quiser consultá-los, terá apenas de pedir aos que têm o encargo de guardá-los e verá que os reproduzi fielmen­te. Julguei necessário dizer isso para dar a conhecer que nada acrescento à verdade e que o desejo de tornar a minha história mais agradável não me faz misturá-la com coisas inverossímeis. Assim, rogo aos que a lerem que lhe prestem fé e se convençam de que eu me julgaria um criminoso, merecendo que a rejeitassem inteiramente, se não me esforçasse em tudo para dizer a verdade com base em provas bem sólidas.

 

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* Tiro era então uma ilha, mas Alexandre, o Grande, uniu-a à terra firme. (N do E)

 

326.  Salomão ficou muito satisfeito com o gesto do rei Hirão e permitiu-lhe tirar de seus territórios duas mil medidas de trigo, duas mil de óleo e duas mil de vinho, contendo cada medida setenta e duas pintas. A amizade desses dois reis aumentou e durou para sempre.

Salomão nada tinha mais a peito que a construção do Templo. Ordenou en­tão aos seus súditos que lhe fornecessem trinta mil operários e distribuiu de tal sorte a obra à qual se entregava que o trabalho não lhe podia ser difícil. Dez mil cortavam madeira durante um mês no monte Líbano, depois voltavam para as suas casas e lá passavam dois meses. Outros dez mil tomavam os lugares deles e, depois de trabalhar durante um mês, retornavam também às suas casas. Os dez mil restantes dos trinta mil os sucediam. Os dez mil primeiros voltavam depois, prontos para continuar o trabalho do mesmo modo.

A superintendência dessa empresa foi dada a Adorão. Setenta mil desses es­trangeiros, moradores no reino de que falamos, traziam pedras e outros materi­ais, segundo o que o rei Davi tinha determinado. Oitenta mil outros eram pedrei­ros, e entre eles havia três mil e duzentos que eram como chefes dos demais. Antes de trazer essas pedras, de tamanho enorme, destinadas para os alicerces, eles as cortavam no monte, e os operários mandados pelo rei Hirão faziam o mesmo no que se referia ao seu trabalho.

327.  1 Reis 6. Estando assim preparadas todas as coisas, o rei Salomão come­çou a construir o Templo, no quarto ano de seu reinado e no segundo mês, que os macedônios chamam de artemísio, e os hebreus, liar [que é o mês de abril], quinhentos e noventa e dois anos depois da saída do Egito, mil e vinte anos depois de Abraão ter saído da Mesopotâmia para vir à terra de Canaã, mil quatrocentos e quarenta anos depois do dilúvio, três mil cento e dois anos desde a criação do mundo. Tudo isso se passava no undécimo ano do reinado de Hirão, cuja capital, chamada Tiro, fora construída duzentos e quarenta anos antes.

Os alicerces do Templo foram feitos muito profundos. E, para que pudesse resistir a todas as inclemências do tempo e sustentar sem balançar a grande mole a ser construída por cima deles, as pedras com que o encheram eram tão grandes que o trabalho não era menos digno de admiração que os soberbos ornamentos e os maravilhosos enfeites aos quais serviriam de base. Todas as pedras que nele se empregaram, desde os alicerces até a cobertura, eram muito brancas.

O Templo tinha sessenta côvados de comprimento e outro tanto de altura. A largura era de vinte côvados. Sobre esse edifício construiu-se outro do mesmo tamanho, e assim a altura total do Templo era de cento e vinte côvados. Estava voltado para o oriente, e o pórtico era da mesma altura, cento e vinte côvados, por vinte de comprimento e dez de largura.

Havia em redor do Templo trinta quartos em forma de galeria, que serviam de arcos para o sustentar. Passava-se de um para o outro, e cada um tinha vinte e cinco côvados de comprimento por outros tantos de largura e vinte de altura. Havia por cima desses quartos dois andares com igual número de quartos, todos semelhantes. Assim, na altura de três andares juntamente, medindo sessenta côvados, chegava-se justamente à altura da parte baixa do edifício, e nada mais havia por cima. Todos esses quartos eram cobertos com madeira de cedro e tinham cobertura à parte, em forma de pavilhão, mas estavam unidos por traves longas e grossas, a fim de torná-la mais firme. E assim, eram como um único corpo. O teto era de madeira de cedro bem polido, enriquecido com folhagens douradas, talhadas na madeira.

O resto era também adornado com madeira de cedro, tão bem trabalhada e reluzente de ouro que o seu brilho ofuscava a vista. Toda a estrutura desse sober­bo edifício era de pedras polidas e tão bem ajustadas que não se podia nem mesmo perceber as junturas. Parecia que a natureza as formara num único blo­co, sem que a arte e os instrumentos de que se serviram excelentes artífices para embelezar a obra para isso tivessem contribuído. Salomão mandou fazer na lar­gura do muro do lado do oriente, onde não havia nenhum portal maior, mas somente duas portas, um degrau em frente, de sua invenção, para se subir ao alto do Templo. Dentro e fora dele havia pranchas de cedro ligadas com grandes e fortes cadeias, para garantir a sua estabilidade.

Quando o grande corpo do edifício ficou pronto, Salomão mandou dividi-lo em duas partes, uma das quais, chamada o Santo dos Santos, ou Santuário, tinha vinte côvados de comprimento. Era particularmente consagrada a Deus, e não era permitido a ninguém lá entrar. A outra parte, que tinha quarenta côvados de comprimento, era chamada Santo do Templo e destinada aos sacerdotes. Essas duas partes estavam separadas por grandes portas de cedro muito bem talhadas e douradas, sobre as quais pendiam véus de linho, cheios de flores diversas nas cores púrpura, jacinto e escarlate.

Salomão mandou também fazer dois querubins de ouro maciço, de cinco côvados de altura cada um. As suas asas eram do mesmo comprimento, e essas duas figuras estavam colocadas de tal modo no Santo dos Santos que duas de suas asas estendidas se uniam e cobriam toda a arca da aliança e as duas outras tocavam, uma do lado norte e outra do lado sul, as paredes desse lugar particu­larmente consagrado a Deus, que, como dissemos, tinha vinte côvados de largu­ra. Dificilmente se poderia imaginar a forma desses querubins. Todo o pavimen­to do Templo estava coberto de lâminas de ouro, e as portas da grande entrada, que tinha vinte côvados de largura e altura proporcionada, estavam também cobertas com lâminas de ouro. Mandou colocar, sobre a porta do lugar chama­do o Santo do Templo um véu semelhante ao de que acabamos de falar, mas a porta do vestíbulo não o tinha.

1 Reis 7. Para tudo o que acabamos de falar, mas principalmente para os trabalhos em ouro, prata e cobre, Salomão serviu-se de um artista admirável, chamado Hirão, que mandou buscar em Tiro. Seu pai chamava-se Ur. Embora morasse naquela cidade, era descendente de israelitas, pois sua mãe era da tribo de Naftali. Esse mesmo homem fez duas colunas de bronze, que tinham quatro dedos de espessura, dezoito de altura e doze de circunferência, sobre as quais estavam cornijas em forma de lírios, com cinco côvados de altura. Havia em redor dessas colunas folhagens de ouro, que cobriam os lírios, e viam-se pender em duas fileiras duzentas romãs, também fundidas. As colunas foram colocadas na entrada do pórtico do Templo, sendo a da direita chamada Jaquim, e a da esquerda, Boaz.

Esse admirável artífice fez também uma bacia de cobre em forma de semicír-culo, à qual se deu o nome de mar, pelo seu enorme tamanho, pois a distância de uma borda à outra era de doze côvados, e as suas bordas tinham um palmo de espessura. Esse enorme vaso era sustentado por uma base feita à moda de coluna, torcida de dez pregas, cujo diâmetro era de um côvado. Ao redor dessa coluna estavam doze novilhos, opostos de três em três aos quatro principais ventos, para os quais estavam dirigidos, de tal modo que a copa do vaso se apoiava sobre o seu dorso. As bordas desse vaso eram recurvadas para dentro, e continha ele duas mil medidas, das que se usam para medir os líquidos.

Hirão fez outros dez vasos além desse, sustentados por bases de cobre qua­dradas, cada uma com cinco côvados de comprimento, quatro de largura e seis de altura. Todas eram compostas de diversas peças fundidas e fabricadas separa­damente. Estavam unidas deste modo: quatro colunas quadradas dispostas em quadrado, na distância de que falei, recebiam em duas de suas faces cavadas para esse fim os lados que encaixavam. Ora, embora tivesse quatro lados em cada uma das bases, somente três eram visíveis: o quarto estava unido ao muro. Em um deles, em baixo-relevo, estava a figura de um leão; no outro, a de um touro; no terceiro, a de uma águia. As colunas eram trabalhadas do mesmo modo. Essa obra, assim reunida, estava montada sobre quatro rodas do mesmo metal e tinha um côvado e meio de diâmetro, desde o centro delas até a extremidade dos raios. As juntas das rodas ajustavam-se admiravelmente aos lados da base, e os raios encaixavam-se nela com a mesma perfeição.

Os quatro lados dessa base, que deviam sustentar um vaso oval, tinham pelo alto quatro braços em relevo, dos quais saíam mãos estendidas, e sobre cada uma delas havia uma peça onde devia ser encaixado o vaso, que era sustentado inteiramente por essas mãos. As faces ou lados sobre os quais estavam os baixos-relevos de leão e de águia ajustavam-se tão perfeitamente uns aos outros e às peças que formavam os cantos que toda a obra parecia uma única peça. Assim eram construídas essas dez bases. Ele colocou em cima dez vasos ou lavatórios redondos, fundidos como o resto, e cada um continha quarenta medidas, pois tinham quatro côvados de altura, e o seu diâmetro maior tinha também quatro côvados. Esses dez lavatórios foram colocados sobre bases que se chamam Mechonote. Cinco do lado esquerdo do Templo, que está voltado para o norte, e cinco do lado direito, voltado para o sul.

Puseram nesse mesmo lugar o grande vaso denominado mar, para servir de lava-tório aos sacerdotes: eles lavariam nele as mãos e os pés quando entrassem no Tem­plo para fazer os sacrifícios, e as cubas serviam para nelas lavarem as entranhas e os pés dos animais oferecidos em holocausto. Fez também um altar fundido de vinte côvados de comprimento, outro tanto de largura e dez de altura, sobre o qual seriam queimados os holocaustos. Fez do mesmo modo todos os vasos e instrumentos necessários para o altar: caldeirões, tenazes, bacias, ganchos e outros, tão polidos e de um cobre tão belo que facilmente podia ser confundido com ouro.

O rei Salomão mandou fazer também um grande número de mesas, dentre elas uma bastante grande, de ouro maciço, sobre a qual seriam colocados os pães consagrados a Deus. As outras mesas, que não eram inferiores a essa em beleza, eram feitas de diversas maneiras e serviriam para que nelas se colocassem vinte mil vasos ou taças de ouro e quarenta mil de prata.

Mandou fazer também, como Moisés havia determinado, dez mil candela­bros, um dos quais ficaria aceso dia e noite no Templo, como a Lei o ordenava. A mesa sobre a qual se poriam os pães oferecidos a Deus foi colocada no lado norte do Templo, em frente ao grande candelabro, que estava na parte sul. O altar de ouro ficou entre ambos. Tudo isso foi colocado na parte anterior do Templo, de quarenta côvados de comprimento, separada por um véu do Santo dos Santos, no qual a arca da aliança deveria ser colocada.

Salomão mandou fazer ainda oitenta mil taças para vinho e outras dez mil de ouro e vinte mil de prata, oitenta mil pratos de ouro, para neles se pôr a farinha preparada para o altar, cento e sessenta mil pratos de prata, sessenta mil taças de ouro, para se molhar a farinha com óleo, cento e vinte mil taças de prata, vinte mil vasos ou hins de ouro e quarenta mil de prata, vinte mil turíbulos de ouro, para se queimar e oferecer os perfumes, e cinqüenta mil outros, para neles se levar o fogo do grande altar até o pequeno, que estava no Templo.

Esse grande rei mandou fazer também mil vestes sacerdotais, para os sacerdo­tes, com túnicas que iam até os calcanhares, e cada qual com o seu éfode e com pedras preciosas. A coroa em que Moisés havia escrito o nome de Deus continuou a mesma. Ela ainda pode ser vista em nossos dias. Mandou fazer também estolas de linho para os sacerdotes, com dez mil cintos de púrpura, duzentas mil outras estolas de linho, para os levitas que cantavam os hinos e os salmos, duzentas mil trompas, como Moisés havia determinado, e quarenta mil instrumentos de músi­ca, como harpas, saltérios e outros, feitos de metal composto de ouro e prata.

Eis com que suntuosidade Salomão fez construir e ornar o Templo. Ele consa­grou todas essas coisas a Deus. Em seguida, mandou erguer ao redor do Templo um muro de cem côvados de altura, chamado gisom, em hebraico, a fim de impe­dir a entrada aos leigos, sendo ela somente permitida aos levitas e sacerdotes. Mandou construir fora desse muro outra espécie de templo, de forma quadrangular, rodeado por grande galerias com quatro grandes pórticos voltados para o levante, o ocidente, o norte e o sul, nos quais havia grandes portas douradas, mas somente os que se haviam purificado segundo a Lei e estavam resolvidos a observar os mandamentos de Deus podiam passar por elas e entrar.

A construção desse outro templo era obra tão digna de admiração que custa crer, pois, para que fosse construído no nível do alto do monte sobre o qual estava edificado o Templo, foi preciso encher até a altura de quatrocentos côvados um vale cuja profundidade era tal que não podia ser vista sem espanto. Ele man­dou rodear esse templo com uma galeria dupla, sustentada por dupla série de colunas de pedra de um só bloco. Essas galerias, cujas portas eram de prata, foram adornadas com madeira de cedro.

Salomão levou sete anos para realizar essas magníficas edificações, o que não despertou menos admiração que a sua grandeza, riqueza e beleza, pois ninguém podia imaginar que seria possível concluí-las em tão pouco tempo.

328. 1 Reis 8. Esse grande príncipe escreveu depois aos magistrados e aos anciãos que ordenassem a todo o povo que se dirigisse a Jerusalém sete meses depois, para ver o Templo e assistir à trasladação da arca da aliança. Esse sétimo mês estava entre os que os hebreus chamam tisri, e os macedônios, hiperbereteus. A festa dos Tabernáculos, tão solene entre nós, deveria ser celebrada naquele mesmo tempo. Depois que todos vieram de todas as partes do reino a essa cida­de, que era a capital, no dia determinado, transportaram para o Templo o Tabernaculo e a arca da aliança que Moisés construíra, com todos os vasos de que se serviam para os sacrifícios.

Os caminhos estavam todos salpicados com o sangue das vítimas oferecidas pelo rei, pelos levitas e por todo o povo. O ar estava tão saturado de perfumes que de longe eram sentidos. Parecia mesmo que ninguém duvidava de que Deus viria de novo honrá-los com a sua presença naquela nova casa que lhe era consa­grada, pois nenhum dos que assistiam à santa cerimônia se cansava de dançar e de cantar incessantemente hinos em seu louvor até chegar ao Templo.

 

Exemplo Prático

 

 

A obra da construção do templo é considerada tão importante, que o seu início é marcado pela contagem dos anos desde o êxodo do Egito, ou seja, 480 anos. Em nossa cronologia, assume-se que foi em 966 AC, tendo o êxodo ocorrido em 1.466 AC, aproximadamente. Levou 7 anos para ser construído.

 

No capítulo 6 temos uma descrição detalhada da planta do templo, e não é fácil de acompanhar por causa das medidas e linguagem usadas naquele tempo. Temos a seguir uma descrição resumida e aproximada como segue:

 

 

 

  • Media 30 metros de comprimento, 10 metros de largura e 15 metros de altura.
  • Era dividido em dois compartimentos, como era o tabernáculo.
  • O primeiro compartimento era o "Lugar Santo", que media 20 metros de comprimento, 10 de largura e 15 de altura.
  • Nele havia janelas com fasquias (ripas) superpostas, para iluminação e ventilação, provavelmente no alto.
  • O segundo era o "Santo dos Santos", elevado a 5 metros do chão, precedido por um vestíbulo com degraus. O "Santo dos Santos", era um cubo, com 10 metros de lado.
  • A frente do templo dava para o Oriente, e junto e ao longo dos seus lados e fundo ficavam três andares com câmaras para uso dos sacerdotes, com alturas de 2,5 m, 3 m e 3,5 m a partir do de baixo.
  • Na entrada no templo havia um pórtico medindo dez metros de largura e cinco de profundidade, ladeado por duas colunas.
  • Dentro do "Santo dos Santos", foram colocados dois querubins de madeira de oliveira de cada lado do lugar da arca do concerto, da altura de cinco metros cada um, de asas estendidas, de maneira que a asa de um tocava numa parede, e a asa do outro tocava na outra parede; e as suas asas no meio da casa tocavam uma na outra.
  • As paredes do templo eram de pedra lavrada, revestida por dentro de cedro talhado com querubins, palmeiras e flores abertas, e o teto era de madeira.
  • A porta pentagonal de entrada para o "Santo dos Santos" era composta de duas folhas de madeira de oliveira lavradas com entalhes de querubins, de palmeiras e de flores abertas; estas, bem como as palmeiras e os querubins, eram cobertas de ouro.
  • A porta quadrilateral para entrada do Santo Lugar, era de duas folhas de madeira de cipreste, cada uma feita de duas tábuas dobradiças, lavradas de querubins, palmeiras e flores abertas, todas cobertas de ouro.
  • Tudo dentro do templo era revestido de ouro, o soalho, as paredes, o teto, os querubins, etc., de forma que, de dentro do templo, só se via ouro.
  • O pórtico de entrada, ou átrio interior, era delimitado por um muro baixo que consistia de três camadas de pedra lavrada e uma camada de vigas de cedro.
  • É de se notar que o "Santo dos Santos" no tabernáculo também era um cubo, medindo apenas 5 m de lado. Isso nos lembra que a "Nova Jerusalém" também é um cubo, medindo 2.220,00 km de lado. Tanto o "Santo dos Santos" como a "Nova Jerusalém" são lugares de habitação de Deus entre os homens.

 

Salomão deu início à construção do templo no quarto ano do seu reinado e a terminou no undécimo, ou seja, sete anos depois. A construção foi feita com a maior reverência, sendo todas a pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro fosse ouvido enquanto edificavam a casa.