VOLUME I

VOLUME I

ORTOGRAFIA RESPEITANTE A ÉPOCA

DIGITALIZADO CONFORME ORIGINAIS

 

 

“O mundo é governado por personagens muito diferentes dos que imaginam os indivíduos cujo olhar não penetra os bastidores"

 

Na "HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL", propõe o Sr. Gustavo Barroso desprender da complexidade das forças que trabalharam na preparação dos acontecimentos políticos do BrasiL aquela que lhe parece predominante, senão decisiva, e, portanto, suficiente para nos dar, desses fatos, uma perfeita compreensão. E uma sondagem profunda a que procede, a procura da verdade histórica ou melhor da "história subterrânea dos acontecimentos". Terá o ilustre escritor encontrado o fio da meada? Terá o mergulhador conseguido trazer suas sondagens, a pérola da verdade história ou uma parcela da verdade? Nos dramas, representados por personagens conhecidos, nos largos cenários das agitações públicas, ou nos palcos dos teatros políticos, terá seu olhar penetrado os bastidores? A todas essas perguntas que se reduzem, afinal, a uma só, responderão os seus leitores, que serão muitos e os seus críticos que serão bastante competentes para julgar da imparcialidade, segurança e penetração do historiador brasileiro.

É certo que, como diz Disraeli, citado pelo próprio autor, "o mundo é governado por personagens muito diferentes dos que imaginam os indivíduos cujo olhar não penetra os bastidores". Mas, quantas vezes esses "personagens diferentes" longe de serem "causa", não passam de "instrumentos" das forças reais e profundas que governam os acontecimentos políticos? E quantas vezes, dada a com plexidade dos fenômenos sociais, e, daí a dificuldade de ver claro, o que se aponta como bastidores reais, não é mais do que a armadura de cenários fabricada pela parcialidade ou erguida pela imaginação? Em todo caso, este livro que representa um grande esforço de pesquisa, é realmente digno de exame e de reflexão, pela documentação abundante que nele se recolheu; e das discussões e divergências que suscitar a sua leitura, poderá saltar um pouco de luz sobre as "zonas de mistério" de nossa história.

 

A presente é a 1ª de uma série de 6 (seis) volumes que compõe a obra completa da

HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL.

O CONCEITO DA HISTÓRIA

A história não é propriamente urna ciência; é antes uma arte. Muitos espíritos avançados do século XIX se esforçaram para dar à história esse conceito científico. Havia a mais generalizada do cientificismo. Seus esforços, porém, como que se anularam ante a concepção atual da história. O espírito do século XX é outro e não admite mais esses exageros do cientificismo generalizado, querendo impor a todos os departamentos e categorias do pensamento humano seus canones empíricos ou pragmáticos.

A investigação dos fatos, a fixação das datas, a interpretação das dúvidas, o confronto e a análise dos documentos, devem certamente obedecer a princípios rigorosamente científicos. Mas a narração dos acontecimentos e sua fixação precisa no tempo e no espaço, não são a verdadeira história, não formam completamente a história. Além disso, há coisa mais importante, substancial, a projeção dos homens e dos acontecimentos no espelho das épocas, como as idéias de cada século, seu espírito, seu gênio próprio. São as mudanças dos aspectos intelectuais do mundo que transformam os critérios dos homens.

Para que a história deixe de ser uma cronologia seca, um rol de fórmulas mnemônicas, é necessário iluminá-la com o esplendor solar das idéias, com a luz maravilhoda da vida espiritual. Assim, a história se reflete melhor na obra dos pensadores, escritores, poetas, dramaturgos e críticos do que na enumeração dos governantes, na série das batalhas ou nos salões dos congressos diplomáticos. Por isso, em geral, o que se aprende na história são movimentos dos corpos sociais, ignorando-se a ação e a vida das almas sociais, das almas dos povos. A verdadeira história seria a revelação da vida espiritual dos homens.

"A história é obra representativa - escreve um mestre- e, portanto, deve ser uma obra de arte. Não nego os méritos da investigação científica no campo da história. Sobre essa investigação se identificaram os mais belos monumentos da arte, no gênero mais difícil entre os gêneros literários. Entre a obra de arte histórica e a investigação que lhe serve de base, há a mesma diferença que entre a anatomia e a escultura estatuária. O escultor precisa conhecer a fundo, 1 cientificamente, a anatomia do corpo humano; entretanto, isso não é o bastante para que sua obra seja considerada científica. Nas formas humanas representadas no mármore, revela-se um espírito, na emoção e nos sentimentos expressos pelas atitudes e gestos da estátua".

Esta página do magnífico livro "La Guerre Occult de Emanuel Malynski e Léon de Poncins termina com essas palavras profundas, que resumem a história da humanidade nos últimos tempos; "Ainda se tem em vista toda a hierarquia humana, quando o mundo começa a se afastar de Cristo, no Renascimento. Ainda se têm em vista os Príncipes e os Reis, quando se afasta do Papa e do Imperador, na reforma. Ainda se têm em vista a burguesia quando se tiram a nobreza Reis e Príncipes, que são os seus pontos culminantes, na Revolução Francesa. Ainda se têm em vista o Povo, quando se ultrapassa o plano da Burguesia de 1848 à 1917. E não se têm mais em vista senão a borra social guiada pelo judeu, quando se vai além das massas em 1917".

Todo esse plano, em todas as nações, foi cuidadosamente elaborado e lentamente executado pelo judaísmo, raramente descoberto e sempre embuçado nas sociedades secretas. Judaísmo e maçonarias criaram um meio social propício à guerra do que está embaixo contra o que se acha em cima, desmoralizando e materializando a humanidade pelo capitalismo mamônico, dividindo-a e enfraquecendo intimamente pela democracia, separando-a e tornando-a agressiva pelo exagero dos nacionalismos, dissolvendo-a e descaracterizando-a pelo cosmopolitismo, encolerizando-a pelas crises econômicas e enlouquecendo-a com o comunismo. Conhecendo isso, é que se pode dar seu verdadeiro caráter aos acontecimentos históricos e mostrar a verdadeira fisionomia das revoluções.

Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via a olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro.

GUSTAVO BARROSO

“Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, história vergonhosa”.
(Balzac, Les Illusions Perdues – t.III)

 

CAPÍTULO I

O monopólio do pau-de-tinta

Amanhecera o dia 25 de setembro do ano da graça de 1498 e o que ia acontecer teria repercussão mais tarde nos destinos do Brasil, que ainda não fora descoberto. A armada portuguesa de Vasco da Gama ancorara diante da costa baixa e emoldurada de palmeiras da ilha de Anchediva, a doze léguas de Goa. Das longas vergas e das inclinadas antenas das naus se desdobravam, secando lenta mente ao sol matutino, as lonas das velas em que a salsugem dos mares nunca dantes navegados esmaecera a cor vermelha das cruzes da Ordem de Cristo.

Sobre o castelo de popa, lavrado de douraduras e eriçado de falconetes 1 de bronze, fundidos nos arsenais de Gênova, o almirante conversava com os capitães, olhando a faina de limpeza a que se procedia em alguns navios. No seu, a capitânea "S. Gabriel", contra-mestre e maruja preparavam as espias que deviam puxá-lo até a praia lisa onde morriam, sorrindo em espumas, as ondas do Oceano Indico, a fim de ser raspada a carena crostada de mariscos e algas na longa travessia dos mares tenebrosos.

O vigia do "S. Gabriel" assinalou um barco ao longe que se aproximou, arfando sobre a toalha azul das águas debaixo da concha muito azul do céu. Era um parau que vinha de Goa, tangido pela sua vela pardusca de esteira. Encostou a nau. Um homem galgou o portaló e saltou no convés. Vestia-se de maneira hindu: mundaçó à cabeça, terçado à cinta, brincos nas orelhas. O nariz adunco se encurvava para os beiços úmidos e sensuais.

Queria falar ao almirante a quem abraçou, como se usa no Oriente, com expansões. Curvando-se em salamaleques, disse em péssimo italiano que era cristão levantisco, viera muito criança para as terras do mouro Sabayo, senhor da ilha e da cidade de Gôa. Enquanto falava, seus olhos, miúdos e vivos, como os de um camundongo, espreitavam todo o navio, detendo-se, sobretudo, na artilharia, como a computar-lhe o número de peças e a força de cada uma.

Vasco da Gama sorria na sua barba açoitada pelo vento. De repente:

- Mestre!

Um português moreno e seminu, de farta bigodeira, de braços peludos e atléticos, levantou a cabeça dentre us marujos que desenrolavam os cabos de cânhamo. E o almirante deu-lhe esta ordem:

- Amarre este espião ao mastro e meta-lhe o calabrote!

Num abrir e fechar de olhos, o levantino estava nu da cintura para cima, amarrado ao mastro grande, e um chicote de cabo alcatroado cantava-lhe nas carnes que se tingiam de sangue.

- Eu digo toda a verdade! uivou o supliciado na sua algaravia.

Os açoites pararam, o almirante aproximou-se e o homem disse a verdade: não era cristão nem levantisco; era judeu e natural da Polônia. Os azares de sua vida aventureira e errante haviam-no trazido à índia. O Sabayo mandara-o como espião, mas preferia servir aos portugueses. A armada do Sabayo era grande e poderosa, bem tripulada de rumens [2] e bem provida de canhões venezianos...

No dia 26 de setembro, a frota aos Lusíadas fazia-se de vela para Portugal e levava a bordo o astuto e inescrupuloso judeu polaco, "por ser de grande experiência e muito conhecedor das coisas da índia, o qual foi, mais tarde, batizado e recebeu o nome de Gaspar da Gama, sendo vulgarmente  conhecido por Gaspar das índias. Este judeu conversava muitas vezes com El Rei D. Manuel, que folgava de lhe ouvir falar sobre as coisas da índia, e lhe fez muitas dádivas e mercês. A Vasco da Gama e outros almirantes portugueses, Gaspar das índias prestou inestimáveis serviços [3]

Dois anos depois, vestida de luto, como era de praxe na época, quando as armadas iam em busca de terras desconhecidas, a corte manuelina assistia do eirado da torre de Belém a partida dos navios de Pedro Alvares Cabral. O judeu Gaspar embarcara na nau do capitão-mor como língua e conselheiro, hoje diríamos intérprete e técnico, em coisas e negócios das índias. Seus olhos vivos e espertos, olhos de rato fugido dos ghetos da Polônia, viram o nosso Brasil no primeiro dia de seu amanhecer. Ao lado de Pedro Alvares Cabral, "de quem não se apartava", avistou o vulto azul do Monte Pascoal nos longes do horizonte, contemplou a terra virgem e dadivosa, a indiada nua e emplumada de cocares, assistiu a primeira missa celebrada por frei Henrique de Coimbra e ouviu a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha.

O judeu Gaspar da Gama fez toda a viagem de PedroÁl vares Cabral: Moçambique, Melinde, Cananor, Calecut, Cochim; tornou às índias em 1502 e 1505 com seu padrinho, Vasco da Gama. Na última dessas expedições, encontramo-lo com o nome de Gaspar de Almeida, "por amor de Viso-Rei, de quem era estimadíssimo", declara um panegirista dos judeus [4]. Por adulação e baixeza, afirmamos diante dos fatos. Batizado por Vasco da Gama, o israelita tomou, de acordo com o costume em má hora instituído por D. Manuel e que estragou, na judiaria, os grandes apelidos da nobreza lusa, o nome de família do seu padrinho; mas, quando a estrela do navegador se foi empanando ante a glória de Dom Francisco de Almeida, o poderoso Vice-Rei do Ultramar, o hebreu mesquinho abandonou o nome de Gama e adotou o de Almeida, sem cerimônia...

Ao tempo do governo de D. Francisco de Almeida, o judeu Gaspar da Gama, de Almeida ou, simplesmente, das índias, casou-se com uma judia, "grande letrada na lei". Veja bem como os Gama, os Cabral e os Almeida, não seriam ilaqueados na sua boa fé de navegadores rudes e heroicos batalhadores pela lábia e a solércia do judeu polonês! Batizado, sua conversão era tão sincera que se unia, não a uma cristã, mas a uma israelita ferrenha, talmudista praticante. Foi ela quem fez com que os judeus das sinagogas hindus comprassem as bíblias hebraicas que vendia Francisco Pinheiro, filho do Corregedor da corte de D. Manuel, o doutor Martim Pinheiro, por mando deste, decerto cristão-novo ou cristão judaizante. O episódio mostra como os judeus secretamente, influenciavam as decisões dos grandes navegadores [5], manobravam nos bastidores da governação das Indias e até faziam proselitismo e propaganda religiosa através do próprio Corregedor da Corte magistrado cuja maior atribuição era perseguir ao judaísmo. A história, referida pelos cronistas, da arca de biblias, EM HEBRAICO, enviadas de Lisboa para a India, é um tanto escura. Não há, infelizmente, documentação que faça suficiente luz sobre o interessante assunto.

A vinda do judeu Gaspar ao Brasil está iniludivelmente comprovada pelas instruções dadas ao capitão-mor Pedro Álvares Cabral, conservadas entre os documentos da Torre do Templo, que se referem pessoalmente a ele. Fugido às perseguições que, do meado do século XV ao começo do XVI, se desencadearam na Polonia contra os israeli tas, cortara as gadelhas reveladoras de sua procedência e afundara-se no Oriente, tendo alcançado às Índias, depois de viver em, Jerusalém e Alexandria. Segundo o autor das "Lendas da índia", Gaspar Corrêa, o rei Dom Manuel noel recomendou que ele servisse com Pedro Alvares Cabral, porque lhe havia dado "muita informação das coisas da India".

Em Porto Seguro, quando as naus portuguesas lançaram ferros, no ano da Graça de 1500, o judeu procurou entender-se com os silvícolas, recorrendo às línguas e dialetos que aprendera no Oriente. Não se fez entender nem entendeu patavina. Mas compreendeu o que poderia valer a nova terra, na qual, se quisesse plantar, daria tudo, como anunciava o escrivão da feitoria de Calecut embarcado na Real Armada.

Para não sermos taxados de fantasista ou parcial, da mos a palavra ao panegirista dos judeus, Sr. Solidônio Leite Filho, grifando suas afirmações mais importantes:

Sr. Solidônio Leite Filho, grifando suas afirmações mais importantes: "Talvez por seu intermédio tivessem os israelitas percebido, desde logo, a importância do novo descobrimento, que pouco impressionara o ambicioso espírito do Afortunado monarca português, cujas atenções estavam inclinadas para as riquezas da India. Aproveitando-se desta opinião conseguiram alguns cristãos-novos, a cuja frente se achava Fernando de Noronha, arrendar a terra havia pouco descoberta. Sabiam eles PERFEITAMENTE que o comércio do pau Brasil, por si só, os indenizaria das despesas[6].

Estes grifos auxiliam a clara visão do primeiro capítulo da história do Brasil, tão diferente do que nós aprendemos nas escolas. Aos meninos e rapazes somente se mostra o palco e ninguém se lembra de levá-los aos bastidores, onde os atores mudam de vestimenta e estão à vontade. Aprende-se unicamente a aparência da história, que é o melhor meio de ocultar a sua essência. Na verdade, um judeu aventureiro da Polônia, apanhado por Vasco da Gama em flagrante delito de espionagem, adere aos lusos que o chicoteiam, batiza-se, toma nome fidalgo, casa com uma judia talmudista e vem, com Cabral, ao Brasil que examina em primeira mão. Os portugueses estão hipnotizados pela India, sonham epopéias e conquistas. Ele não sonha nada, olha praticamente a vida, calcula todas as vantagens materiais. Que lhe importam os açoites amarrado ao mastro do "S. Gabriel" e a água lustral do batismo? Por esse preço pagou o direito de assoprar informações ao ouvido de D. Manuel o Venturoso e de dar hábeis pareceres, logo aceitos, nos "conselhos dos capitães". Sua raça continuará a hipnotizar os lusos na conquista, navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e India, a fim de que se possa enriquecer com os produtos que afloram por toda a vasta extensão da Terra de Santa Cruz, que um esforçozinho de cartógrafos e cosmógrafos judeus, ou inspirados por judeus mais adiante mudará a Terra do Brasil [7].

Compulsemos Capistrano de Abreu em suas notas a Varnhagen e este em suas notas ao "Diário de Navegação" de Pero Lopes de Souza. O cristão-novo Fernando de Noronha, que tomara este nome fidalgo com a mesma desfaçatez com que o judeu polônio tomara os de Gama e Almeida, em 1503 associado a outros cristãos-novos, equipara uma frota e saíra do Tejo, no mês de maio, rumo ao oeste. Navegação feliz. A 24 de junho, dia de São João, pôs a capa sobre uma ilha penhascosa, de praias brancas, aqui e ali vestida de vegetação luxuriante. Os marujos deram-lhe o nomé de São João devido à data do descobrimento. Os israelitas mudaram-no, mais tarde, para o do próprio armador e comandante da frota, Fernando de Noronha.

Como e por que vinham tão cedo, mal findara a viagem redonda de Cabral e com eles conversara seu irmão Gaspar das Indias sobre as riquezas da nova terra? O judeu Fernando de Noronha e seus sócios haviam arrendado o Brasil a D. Manuel, que continuava dentro do sortilégio, "deslumbrado com as maravilhas da Ásia". Pelo contrato de arrendamento, os judeus deviam mandar todos os anos seis navios ao Brasil, para explorar ou descobrir trezentas léguas de costa para além dos pontos já conhecidos, fincando um forte no extremo em que tocassem. Esses navios poderiam levar qualquer produto para a metrópole sem pagar o menor imposto, tributo ou finta, no  primeiro ano; pagando um sexto do valor, no segundo, e um quarto no terceiro. O prazo de arrendamento, como se vê, era de três anos [8].

No dia 24 de janeiro de 1504, D. Manuel fez doação da ilha de S. João a Fernando de Noronha, a qual foi confirmada por D. João III em 3 de março de 1522. Desta sorte, antes de dividindo.o Brasil em capitanias hereditárias muito antes das primeiras concessões de sesmarias, origem dos primitivos latifúndios, a coroa portuguesa alienava uma parte do Brasil, dando-a de mão beijada a um judeu traficante do pau-de-tinta, que era a anilina daquele tempo.

Terminou o prazo de arrendamento da costa brasileira em 1506. Fernando de Noronha agenciou, na corte, sua renovação ou prorrogação, obtendo-a por dez anos, em troca do pagamento anual de quatro mil ducados, o que deixa ver que os lucros auferidos no comércio da madeira de tinturaria, único no amanhecer da vida brasileira, não tinham sido de desprezar. Além da prorrogação, os judeus obtinham o monopólio do negócio, pois que o rei se obrigava a não permitir mais o "trato do pau-brasil com a India". Era, com efeito, do Oriente que vinha o pau-detin ta, berzi, ou verzino, segundo Muratori e Marco Polo. O descobrimento do nosso País, em verdade, graças às informações levadas pelo astuto judeu que Vasco da Gama açoitara e conduzira à pia batismal, tivera como resultado a formação, para empregar a linguagem moderna. de um TRUSTE DAS ANILINAS. Naturalmente, que era o monopólio do comércio da madeira tintória, desde que o sapang de Java é Ceilão fora corrido dos mercados europeus, senão isso? tan to assim que os navios do consórcio Fernando de Noronha carregavam por ano de nossas matas litorâneas a bagatela de "vinte mil quintais da preciosa madeira"! [9]. 0 primeiro carregamento foi levado logo em 1503, dois anos após o descobrimento [10]. A famosa nau "bretôa", que em 1511 veio ao Brasil carregar o pau, batendo a costa até o Cabo Frio, foi armada e despachada por Fernando de No ronha e seus amigos [11].

Neste primeiro capítulo da nossa história, encarada por um método novo e verdadeiro, se vêem o palco e os bastidores. No palco: a armada de Cabral com as velas pendentes em que o sol empurpurava as cruzes heráldicas; a cruz erguida na praia, diante da qual um frade diz a primeira missa; um padrão cravado no solo virgem da terra descoberta em forma de cruz, a cruz nos punhos das espadas linheiras que retiniam de encontro aos coxotes de aço fosco; a cruz nas bandeiras alçadas, os nomes de Vera Cruz e Santa Cruz impostos a toda a nova região americana: o idealismo cristão, o heroísmo cristão, o sentidõ cristão da vida, a propagação da Fé e a dilatação do Império que a gesta dos Lusíadas cantaria com o ritmo do rolar das ondas.

Nos bastidores, manobrando os cenários e arranjando as vestiduras, o judeuzinho de Goa, o cristão-novo Fernando de Noronha, os Cristãos-novos e israelitas do seu consórcio comercial, inspirados pela sinagoga e pelo kahal, realizando o lucro à sombra do idealismo alheio; ganhando o ouro à custa do esforço e do sangue dos outros, apagando o nome da Cruz com o nome do pau-brasil, o que indignou a João de Barros 12; usando a epopéia da navegação e o poema do descobrimento para a fundação trivial de um monopólio de anilinas...

__________NOTAS___________

1 Pequenas peças de artilharia.


2 Soldados muçulmanos da India, mercenários leva_n tipos ou turcos, Cf. Alberto 0. de castro, "A cinza dos myrtos", pág. 193; Dalgado, "Glossário, Luso-Asiático, t. II, págs. 264 e segs.

3 Solidônio Leite Filho, "Os judeus do Brasil" ed J. Leite & Cia., 1923, pág. 24 e 25. A documentação do resto do capítulo está em Gaspar Corrêa, "Lendas da India", tomo I. Entre as mercês, segundo Damião de Góis, "Crônica d'E1 Rei D. Manoel", pág. 32. fê-lo cavalheiro de sua casa, deu-lhe tenças, ordenados e ofícios.


4 Solidônio Leite Filho, op. cit., pág. 27.


5 C. Solidônio Leite Filho, op. cit. pág. 25. "A sua voz (do judeu Gaspar) foi sempre acatada nos conselhos dos capitães". Na índia, até o grande Afonso de Albuquerque, conforme depõe Gaspar Corrêa, "Lendas da India", tomo II. pág. 177, muito se aconselhava com seu intérprete o judeu Hucefe. A tola confiança do cristão no judeu é que permite a este dar os seus botes...

6 Op. Cit., págs 36 e 37. Vejamos como sabiam perfeitamente. A 28 de abril de 1500, as equipagens de Pedro Álvares Cabral descem à terra para cortar lenha e pela primeira vez o machado dos civilizados retumba nos troncos das virgens florestas do Brasil. Cf. J. M. de Macedo, "Efeméride Histórica do Brasil", Tip. do Globo, Rio. 1877, pág. 261. Nesse corte de madeira, com certeza, o judeu Gaspar descobriu o pau-brasil, pois conhecia, como prático das coisas do Oriente, o verzino colombino de Ceilão. Nada disse à Cabral nem ao Rei; mas informou os cristãos-novos, seus irmãos. Não é claro como água?...


7 Simão de Vasconcelos. Mônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil". ed. A. J. F. Lopes, Lisboa, 1765, pág. XXXII, 9: "...Terra de Santa Cruza título que depois converteu a cobiça dos homens em Brasil,contentes do nome de nutro pau bem diferente do da cruz e de efeitos bem diversos".

8 Piero Rondinelli, "Raccolta Colombiana", 3Q pa. te, vol. II, pág. 121.


9 Solidonio Leite Filho, op. cit. pag. 37: Leona_r do de Chade Messer in "Livro comemorativo do Descobrimento da América", ed. da Academia de ciência de Lisboa.


10 Melo morais, Mônica do Império do Brasil", 1879, pág. 19.


11 Solidonio Leite Filho, idem, idem. Capristano de Abreu, "0 descobrimento do Brasil", pág. 267, Varnhagen, "História Geral do Brasil°, 1ê ed., I, págs. 427432 "Diário do Pero Lopes", Rio de Janeiro, 1867.


12 "Décadas"... como que importava mais o nome de um pau que tinge panos que daquele pau que deu tintura a todos os sacramentos por que somos salvos...

 

CAPÍTULO II

O empório do açúcar

Passaram-se muitos anos antes que a coroa portuguesa desse fé do Brasil. Monarca e povo "tinham os olhos ofuscados pelos resplendores das predirias do Oriente [13]".

Esse pensamento repete-se de tal modo nos historiadores filo-judaicos que somos forçados a admitir o propósito por parte dos judeus em conservar as atenções voltadas para outro lado, afim de poderem, à vontade, não só tirar, sem grande trabalho, à custa de bugigangas dadas ao índio, milhares e milhares de quintais de pau-brasil, produtor de tintura, ou de canafístula produtora de mirra [14], como de preparar uma espécie de refugio para a sua raça deste lado do Atlântico. "Aconteceu que os judeus foram obrigados a emigrar, açoitados por uma perseguição feroz (1506). Seu instinto mercantil adivinhara [15] as riquezas naturais do Novo Mundo. Teriam aqui tranqüilidade e segurança, o Santo Ofício não os inquietaria [16]". Tanto assim que a ordem dos Dominicanos, à qual estava quase sempre afeto este tribunal, nunca logrou estabelecer-se no Brasil.Em todo o nosso vastïssimo país, não existe um único convento de S. Domingos. O número e a influência dos cristãos novos impediram o funcionamento da Inquisição entre nós. Houve somente visitações e quem lê seus processos fica assombrado da persistência do judaísmo nos marranos convertidos e que viviam dentro da religião católica com o simples fito de auferir vantagens. Aliás, esse sistema vem do fundo dos séculos: em Roma, já havia os cripto-judeus ou judeus ocultos [17] .

Citemos dois exemplos elucidativos dessa persistência: o cristão-novo Jorge Fernandes, que veio para cá no tempo do segundo Governador-Geral, D. Duarte da Costa, e faleceu em 1567, antes de morrer pediu que lavassem e sepultassem o cadáver segundo os ritos da sinagoga; o cristão-novo Afonso Mendes, vindo com Mem de Sá, costumava, às escondidas, açoitar o crucifixo... Até freiras claustradas judaizavam... [18].

No Reino, as Ordenações puniam com rigor os cristãos -novos judaizantes. Num país bárbaro em vias de colonização, as leis eram, naturalmente, interpretadas com maior benevolência e liberalidade, permitindo o próprio meio, melhor defesa para os acusados, até mesmo a facilidade da fuga e da ocultação. Fechavam-se os olhos sobre muita coisa [19]. "Não admira, pois, que as famílias hebréias tivessem emigrado para a América Portuguesa, onde, livres dos tribunais do Santo Ofício, viviam na mais absoluta tranqüilidade, guardando a lei de Moisés [20]". Vieram, assim, para o Brasil, nos primeiros tempos, os Guilhens, os Castros Boticários, os Mendes, os Rabelos, os Antunes, os Valadares, os Bravos, os Nunes, os Sanches, os Diques, os Cardosos, os Coutinhos, os Montearroios, os Cirnes, os Ximenes, os Peres, os Calaças, os Teixeiras, os Rodrigues, os Barros, os Siqueiras. Anos e anos deslizaram sobre mui tos deles sem lhes abrandar a impenitência talmudista. Continuaram, como rezam os documentos coevos, convictos, fictos, falsos, simulados, variantes, revoltantes, impenitentes, profluentes, diminutos, confluentes, negativos e pertinazes", merecendo as penas inquisitoriais [21]. Rodolfo Garcia [22], acha que "O Caramuru", João Ramalho, Francisco de Chaves, o próprio misterioso Bacharel de Cananéia aquele castelhano que vivia no Rio Grande do Norte, entre os Potiguaras, com os beiços furados como os deles, e tantos outros  desconhecidos - seriam, quem sabe, desse número de judeus, colonizadores espontâneos das terras de Santa Cruz".

Com efeito, "os navios que, enviados pela coroa portuguesa, aportavam às nossas plagas duas vezes por ano traziam somente judeus e degredados, com os quais se formou o primeiro núcleo de população [23]". Isto confirma a suposição de Rodolfo Garcia, da qual só discordamos quanto a Caramuru. A religiosidade de Paraguassu, sua mulher, como que demonstra o espírito profundamente católico do marido, o que não se dá com os cristãos-novos. Vede como João Ramalho, por exemplo, se obstina em não praticar o culto católico e entra em luta contra os padres da Companhia de Jesus.

O monopólio da madeira de tinturaria, habilmente con seguido por Fernando de Noronha e seu grupo, vivia de alimentar a desatenção do rei D. Manuel quanto ao Brasil, levando-o a só dar tento aos negócios da Índia. Enquanto isso, por via da proibição do comércio do pau-de-tinta com o Oriente, o consórcio judaico ia se enchendo de ouro. Cada quintal de madeira posto em Lisboa, ficava com todas as despesas, por meio ducado. Era vendido em Flandres por dois e meio a três ducados [24]. Lucro formidável! Esse lucro atraiu, naturalmente, "a cobiça dos corsários europeus", sobretudo diepeses e maloínos. Seus barcos percorreram a costa, arribaram as abras e enseadas, comercializando com o gentio e carregando o Brasil. Não era mais unicamente o judeu luso que exercia a função comercial de brasileiro. Outros a disputavam: franceses, alemães, espanhóis, ingleses, e, entre eles, muitos judeus dessas procedências.

Aí, os sócios de Fernando de Noronha e ele mesmo, de certo, compreenderam que era necessário reagir contra os piratas audazes, que vinham de Honfleur, Dieppe, Saint-Ma lô, San Lucar, Corunha e outros portos para a Terra dos Papagaios, considerada res nullius. Para comerciar e lucrar, os judeus do grupo Noronha estavam sempre prontos; mas, para trocar tiros mortíferos de bombarda e arcabuz de navio Onavio, no balanço das ondas, ou saltar de terçado em punho nas abordagens furiosas a bordo do barco inimigo, eles absolutamente não tinham sido feitos. Povo eleito para tudo, menos para a luta armada, o judeu segue o preceito do ïalmud, que diz: "Na guerra sê o último a partir e o primeiro a voltar"... Todavia, como expelir aos piratas que prejudicavam o futuroso negócio da tinturaria? Era preciso apelar para o rei Afortunado, que perseguia o judaísmo, mas se deixava influenciar pelos conselheiros hebreus, entre os quais o sabido Gaspar da Gama. Ele, sem dar por isso, ia servir para defender os ino Gentes cristãos-novos que ganhavam o mínimo de dois ducados em cada quintal de pau-brasil. Era chegada a hora de entrar em cena o cristão velho -a fim de derramar seu sangue, batendo-se contra os corsários que estavam prejudicando, grandemente, os lucros opimos do kahal...

Eis porque, logo, o soberano voltou sua atenção para o Brasil. Os hebreus a desviaram, quando assira, era preciso; agora, a solicitavam."Foi graças aos israelitas - escreve seu panegirista [25] - que Portugal começou já nos últimos tempos de D. Manuel, a perceber a importância da Terra de Santa Cruz". 0 rei observou também "os esplêndidos resultados colhidos pelos hebreus em prejuízo do erário; e decidiu a colonização do novo país. Desde mais ou menos 1516, começou a tomar medidas nesse sentido, bem como assecuratórias do comércio do pau-brasil. Naquele ano, Cristovam Jaques vem com dois navios policiar a costa e fundar uma feitoria em Pernambuco, a qual floresce. Nela se faz a primeira experiência do plantio da cana-deaçúcar, riqueza que, em breve, vai suceder à da extração da madeira de tinturaria. O ciclo da indústria extrativa vai desaparecer e será substituído pelo da indústria açucareira, cujo empório enriquecia aos judeus e marcava o segundo período da história colonial. Em 1530, Martim Afonso de Souza dá caça aos corsários franceses, reaviva o vestígio do domínio de Portugal, distribui povoadores, ba te a costa até o Prata e traça o primeiro contorno políti co da colônia [26]. Em cananëia, encontra servindo de li gua ou intérprete, o judeu Francisco de Chaves; em São Vicente, no meio dos goianases, o judeu  João Ramalho. Aí se lançam os fundamentos de uma verdadeira colônia, a primeira que se construiu à boa maneira portuguesa [27]".

A coroa dava licença a quem quisesse tentar fortuna no Brasil, com a condição de pagar-lhe o quinto dos produtos; a Casa da Índia fornecia instrumentos de lavoura a quem desejasse ir povoar a nova terra; favorecia-se com os meios necessários a quem fosse capaz de dar prin cípio a engenharia de açúcar [28].

No século XVI, o açúcar era raro e caro. Até o achado do caminho das índias, pelos portugueses, o pouco açúcar que chegava à Europa vinha do Oriente, trazido e distribuído pelos venezianos. As populações européias, na sua maioria, contentavam-se com o mel das abelhas para suas comidas e bebidas. Só os ricos conheciam o açúcar oriental. Imagine-se a revolução econômica produzida pela entrada à larga do açúcar nos mercados em que antes não aparecia.

Já nas ilhas de S. Tomé, Cabo Verde e da Madeira se cultivava cana; porém, na mão dos judeus, o Brasil iria ser o verdadeiro instrumento dessa revolução, cujas últimas cenas ainda estão se desenrolando em Cuba.

Morto D. Manuel, D. João III prossegue no intuito de povoar é colonizar o Brasil. Além de fazer várias doações de latifúndios a fidalgos ilustres e de confirmar outras, do seu antecessor, como a ilha de S. João ao cristão-novo Fernando de Noronha, dividiu o imenso território em doze capitanias hereditárias. Esses feudos de cinqüenta a cem léguas de litoral foram concedidos e escolhidos capitães cobertos de serviços, como Duarte Coelho, Martin Afonso, Pero Lopes, Aires da Cunha, Pero de Góis e Vasco Fernandes Coutinho; a homens ricos, como Pero de Campos Tourinho; a altos funcionários do Reino e outros, como Jorge de Figueiredo Correa, Fernando Álvares de Andrade, Antônio de Barros Cardoso e João de Barros.

A cargo dos donatários das capitanias, deixou o governo real povoação e defesa das novas terras e dos estabelecimentos que montassem, o que não era coisa fácil pois os piratas costumavam destruir o que podiam. Em 1530, um galeão francês não arrasou o primeiro engenho de açúcar da América, o do capitão Pero Capico, em Pernambuco, fundado em 1516 [29]?  A fazenda real não se podia consumir nesse serviço e por isso largava em mãos dos concessionários todo o peso da colonização. Dois deles meteram ombros à empresa e suas capitanias progrediram: Pernambuco e S. Vicente. Outros abandonaram as doações. Ainda outros apelaram para os judeus ou lhes venderam suas terras.

"Não podendo recusar trabalhadores, os capitães-mores estenderam às pessoas de origem hebraica, os favores concedidos às demais. Fundados nos privilégios excepcionais que lhes davam doações e forais, trouxeram algumas famílias israelitas [30], tendo um dos donatários contra tado com judeus laboriosos a montagem de engenhos em Pernambuco... Quando os capitães-mores chegaram às suas terras, aí encontraram, exercendo grande influência sobre o gentio, vários cristãos-novos, vindo durante os trinta anos em que o governo português as deixara em quase completo abandono. Qualquer perseguição contra eles provocaria o ódio dos índios, o que tornaria dificultosíssima, senão impossível, toda tentativa de estabelecimento. Para a colonização das capitanias, seu auxílio era, portanto, precioso e necessário [31]".

O exemplo de João Ramalho é, desse ponto de vista, o mais concludente possível. "Bastaria para demonstrá-lo o ódio que sempre teve pelos jesuítas, mantendo contra eles uma luta incessante, o que naquela época de fanatismo e submissão ao clero era de estranhar". O mesmo autor destas linhas, que é judeu [32], acrescenta: "Mas o que confirma incontestavelmente a origem judaica de João Ramalho deu origem a inúmeras controvérsias. Grande número de historiadores negava-lhe todo valor, achando que se tratava de um traço sem sentido; outros afirmavam o contrário, sem apresentar, porém, argumentos convincentes. No princípio deste século foi publicado um trabalho  em que o Kaf de João Ramalho era apresentado como um signo esotérico, cabalístico, o que, apesar de não se prender bem ao caso, viria indicar que João Ramalho era um estudioso da Cabala, como a maioria dos judeus daquela época (!). Hoje, porém, com os recentes estudos do Sr. Ben Israel, diretor deste almanaque [33], podemos afirmar que a questão se acha ple namente esclarecida e pela afirmativa. Trata-se de um Kaf, um verdadeiro Kaf sem sentido cabalístico e esse Kaf demonstra que João Ramalho era judeu, do mais puro sangue.

O Sr. Ben Israel demonstra que todo judeu pertencente a estirpe dos "cohannin", plural de "cohen" (descendentes de Aarão, sacerdotes hereditários do povo judeu), acrescentam; ainda hoje, à sua assinatura duas letras hebraicas, um Kaf e um Tzedek, iniciais das duas palavras: "cohen tzedek", isto é, cohen puro. Destas duas letras formou-se até um nome: Katz, que é hoje o sobrenome de muitas famílias israelitas. O cohen que por qualquer modo infringe a religião não pode ser considerado puro e não tem direito a usar o Tzedek. Deve, portanto, limitar-se a assinar com o kaf, simplesmente. Ora, João Ramalho, que tinha casado com uma gentia, a filha de Tibiriçá, infringira as regras da proibição (que racismo!) e tinha deixado de ser um cohen puro,"cohen tzedek", tornando-se, um "cohen" simples, que só tinha direito a assinar com o Kaf. O sr. Israel demonstra, pois, cabalmente, que João Ramalho era um judeu, tão consciente de seu judaísmo que, apesar de isolado num mundo distante, não deixa de cumprir, na medida do possível, os preceitos de sua religião Com isso fica afirmado que o movimento inicial para a formação da grande metrópole, que é a São Paulo de hoje, foi um movimento promovido por um judeu. Ele não foi, porém, o único. Tangidos pela inquisição, que então era rigorosa em Portugal, inúmeras famílias judaicas ou cristãs-novas, como então se chamavam, vieram estabelecer-se na Paulicéia. São de origem judaica os Pintos, Costas, Silvas, Pereiras, Castros, Salgados, Buenos, Mesquitas, etc.".

A citação é um tanto longa, mas preciosa, não pelo estilo, que é horrível, sim pelo documento que representa. Vemos por ela a infiltração judaica no Sul, através de S. Vicente, subindo ao planalto piratiningano, do mesmo modo que a vimos no Norte, em Pernambuco. As duas capitanias que prosperavam, chamavam logo a judiaria. Mostra ainda essa página judaica seu racismo até em relação ao gentio, a persistência dos ritos e dos estudos cabalísticos, o ódio ao missionário jesuíta catequizador do indígena, que o judeu queria tão somente escravizar para explorar-lhe o trabalho.

A América meridional era um ótimo refúgio para os judeus convictos e para os disfarçados. Vinham aos milhares Lendo a obra de Argeu Guimarães, verifica-se o perigo social que representavam; infiltrados no próprio cerne do catolicismo. No ano de 1581, a Inquisição queimou em Lima dois padres portugueses idos do brasil, porque os mesmos praticavam o judaísmo: frei Alvaro Rodrigues e frei Antonio Osório da Fonseca. Nos primeiros séculos da nossa história, houve um grande comércio de ouro e prata, por terra, com o Peru. Os homens que se ocupavam dessa espécie de contrabando de metais preciosos, na maioria judeus eram até denominados peruleiros [34]. Muitos peruleiros judeus ou judaizantes foram pilhados pela rigorosa inquisição espanhola, em Lima, e levados à fogueira. Entre outros, Baltazar Rodrigues de Lucena e Duarte Nunes, em 1600; Gregório Dias, Diogo Lopes de Vargas e Duarte Henriques, em 1605; Diogo de Andrade, João Noronha e Manuel de Almeida, em 1625; Manuel Batista Pires em 1639.

Não se vá pensar que o judeu entrou com entusiasmo na indústria do açúcar que nascia. Do mesmo modo que veio na sombra dos descobridores, examinar a terra e ver o que nela havia de mais facilmente aproveitável - o pau-brasil esperou que o negócio do açúcar fosse desbravado por outros até chegar a um bom ponto. Eis como se explica a falência dos primeiros edificadores de engenhos. Perdido o capital inicial, o judeu adquiriu os engenhos abandonados e, como neles não invertera as somas que os cristãos haviam perdido, seus lucros teriam de ser muito grandes. Assim, agiria, mais tarde, com o ouro: o bandeirante audaz descobriria, após mil tormentos, as lavras; eles se apoderariam delas, depois, pela traição. Toda a história do Brasil é assim: uma aparência - o  idealismo construtor do português, do mameluco e do brasileiro, dos cristãos; uma realidade - o utilitarismo oculto do judeu, explorando as obras do idealismo alheio. Os agricultores e os guerreiros, diz o imparcial João Lúcio de Azevedo, são os elementos produtores e construtores das pátrias. O judeu não é nem agricultor nem guerreiro.

Vejam o quadro dos desbravadores, dos bandeirantes do açúcar, pintado por Pedro Calmon [35]: " ..fracassaram todas as empresas de grandes cabedais, - início do desenvol vimento mundial do comércio - que se aplicaram a explorá-los: ou porque os portugueses só sabiam trabalhar para si não para capitalistas, que, à moda da Holanda, esperavam em Lisboa o seu provento, ou porque não se antecipara aos trabalhos um reconhecimento da terra e sua efetiva ocupação. Assim, em Ilhéus, Lucas Giraldes, que comprou a capitania ao seu donatário, fez edificar oito engenhos, e tan to foi roubado pelo feitor (que depois se estabeleceu no Recôncavo com engenho próprio) como pelos Aimorés, que tudo perdeu ... Em Porto Seguro, o duque de Aveiro, que adquiriu a capitania ao seu dono, igualmente mandou construir vários engenhos que pereceram. Vasco Fernandes Coutinho donatário do Espírito Santo e homem opulento, inverteu a riqueza qrangeada na India em engenhos poderosos, e de tal forma lhes atacou o gentio, que morreu sem lençol para mortalha. Desgraça maior ocorreu ao capitão da Bahia, que gastou numa boa frota sua fortuna, começou dois engenhos, teve-os demolidos pelos Tupinambás e acabou trucidado por eles".

A indústria do açúcar, porém, progrediu admiravelmente em duas capitanias: Pernambuco e S. Vicente. Os engenhos eram movidos por água ou por bois. A lavoura da cana era feita, primeiramente, pelos índios escravizados, depois pela escravaria africana. Maquinário simples, de fácil montagem, de mais fácil reparo e de custo relativamente baixo. Mão-de-obra abundante e barata. O açúcar começou a criar para o judaísmo negócio novo e lucrativo: o tráfico dos negros.

O açúcar era negociado com os mercados das Flandres desde 1532, quando Martim Afonso de Souza se associara ao holandês Erasmo Schetz, cujo engenho sessenta anos mais tarde valeria quatorze mil ducados36. D. João III via com bons olhos essa nova fonte de riqueza ultramarina e mandava passar ao Brasil vários lavradores de cana das ilhas da Madeira e Cabo Verde [37].

O fidalgo-agricultor, o gentilhomme-compagnard, o hobereau, riqueza social de todos os países, ligado profundamente à terra pela tradição, pela alma e pelo interesse é encontrado sempre, no Brasil colonial, encabeçando todas as iniciativas com sua coragem e seu idealismo. A sua sombra caminha agachado o judeu, negaceando, buscando o proveito de suas conquistas com o maior e menor risco possíveis. Duarte Coelho é quem manda, em 1549, buscar homens práticos, isto é, técnicos, no Reino, nas canárias e na Galiza à sua custa, para montar os engenhos [38]. São homens de prol os que iniciam o plantio de cana na Bahia,vencendo todas as dificuldades [39]. É o nome usual de senhor de engenho, transmitido até nossos dias, tem um sabor de titulo nobiliárquico.

Diz o "Diálogo das grandezas" que o soberano o dava em cartas e provisões [40]. Assim se formou a nossa primeira aristocracia rural. A esse novo feudalismo não faltou até uma das mais comuns e interessantes instituições de caráter socialista da Idade Média: a banalidade. Havia os "engenhos reais", idênticos ao lagar do príncipe" em Portugal ou ao "moulin banal" da França, destinados a moer a cana da gente pobre, que plantava sem ter engenho [41].

O açúcar espalhava-se por toda a Europa que o consumia com avidez, tantos e tantos séculos fora privada de coisa tão deliciosa, dependendo a sua pastelaria do mel das abelhas! Que estupendo país esta Terra dos Papagaios, ou do Brasil, surgida do seio do Mar Tenebroso! Dali vinha a madeira corante que tingia os panos flandrenses. Dali vinha mais o doce, coisa rara, cujo preço dobrava, triplicava nos mercados flandrinos, onde pontificavam, depois dos judeus do paubrasil, os judeus do açúcar brasileiro. Os Paises-Baixos, como Nova York hoje, eram a Judéia da época. Pinta o quadro um historiador que ninguém poderá taxar de anti-semita, mas que conhece a documentação em que alicerça suas afirmativas: Os judeus que vendiam açúcar enriqueciam a termos de estender-se a cultura pelos Açores e Canárias, febrilmente fomentada, a ocupar grandes organizações financeiras que teciam, entre as várias praças européias, a rede de crédito [42]. Duarte Coelho contou em Pernambuco com o auxilio daqueles capitalistas comissários [43]; Subrogavam-se nas responsabilidades do governo para intensificar, criar uma economia, que lhes devolveu em altos juros os cruzados do empréstimo44. Não houve melhor negócio na época e aos impulsos dessas cobiças resolveu João III dar ao Brasil um governo regular. Em 1549, depois de ter comprado aos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a capitania da Bahia, mandou Tomé de Souza fundar a capital da colônia [45].

Desta sorte, a primeira cidade e o primeiro governo resultam do comércio açucareiro, que os judeus internacionais manobram das Flandres por meio de uma rede de crédito. A emigração israelita, que fugia à Inquisição peninsular, bifurcava-se para as Indias e para o Brasil. Estabelecido o Santo Oficio em Goa, a corrente veio toda para nós. A esse sangue judaico, que inúmeras vezes se misturou ao sangue cristão, deve quiçá a maioria dos brasileiros os defeitos que lhes são apontados: falta de fixidez no caráter, inclinação a não levar nada a sério, capacidade de deformar todas as idéias, indisciplina inata e prazer do despistamento. Muitos judeus permaneceram puros até nossos dias, fingindo-se mesmo de cristãos, mas conservando às ocultas a fé talmúdica, praticando os ritos, judaizando, como diriam os inquisitores [46]. Outros se fundiram na consciência e na raça, exemplo raro, talvez único no mundo inteiro. O Brasil absorveu-os completamente. Tantos milhares de hebreus se encaminharam para nossa terra que, em 1532, D. João III proibiu a saída dos cristãos novos do Reino com mudança de casa e venda de propriedades, sob graves penas. Eles porém, continuaram a fugir para cá, forçando o governo real a novos alvarás de mais rigorosa proibição, em 1567. Dez anos mais tarde, premido pelas necessidades de dinheiro para a infeliz jornada de Africa, D. Sebastião revogou as proibições por duzentos e vinte cinco mil cruzados que lhe pagou o Kahal de Lisboa, o que motivou uma representação da Inquisição ao poder real, em 1578. O cardeal D. Henrique revalidou os atos de D. João III [47].

A enxurrada judaica encheu o Brasil que amanhecia, atirando-se aos negócios de mascate, de açúcar e de escravos. Dia a dia, o número de israelitas crescia nos primitivos núcleos da  população. Suas sinagogas, que o povo denominava esnogas, multiplicavam-se. Havia-as em casas particulares, como a de Matuim, na Bahia, na residência do cristão-novo muito conhecido Heitor Antunes. Havia-as nos próprios engenhos, como a do cristão-novo Bento Dias de Santiago, em Camaragibe, onde, nas luas novas de agosto, em carros enramados, os judeus da terra iam celebrar o YOM KIPPUR e outras cerimônias do rito judaico" [48]. As qrandezas do Brasil servem aos diálogos judaicos. O Brandônio dos "Diálogos das Grandezas do Brasil" era o judeu Ambrósio Fernandes Brandão, ex-feitor do engenho sinagogal de Bento Dias de Santiago, onde também fora empregado o cristão-novo Nuno Alvares, "por ventura o interlocutor Alviano dos referidos diálogos" [49], como feitor dos dízimos reais que o seu patrão arrematava, consoante o velho hábito dos publicanos hebreus.

Essa judiaria do primeiro século do ciclo de negócio do açúcar, adorava trancãilamente, apesar de batizada, o Deus de Israel [50]. Eram todos como aquele Diogo Fernandes, natural de Viana, a quem se referem os documentos, o qual, na agonia, quando lhe diziam que chamasse por Jesus Oirava sempre o focinho e nunca o quis nomear [51].

Depois de caído Portugal sob o dominio Espanhol, o número de familias judaicas no Brasil não cessou de aumentar [52]. No reinado de Filipe III, o alvará de 4 de abril de 1601, conseguido pelo Kahal a peso de ouro, e a bula papal de 23 de agosto de 1604, que custou à judiaria um milhão e seiscentos mil cruzados, permitiram aos cristãos-novos deixar as terras peninsulares e sair dos cárceres inquisitoriais. Mal se apanharam soltos, foram vendendo o que tinham e fugindo. Assim, quando veio a cobrança do que haviam prometido dar pelo alvará e pela bula, o rei não conseguiu receber nem a metade. Indignado, o soberano revogou a licença de salda e estabeleceu a obrigatorieda os dos engenhos brasileiros. Da Holanda se mandavam por ano, para o Brasil, 3 a 4 mil Biblias em hebraico, como já vimos que eram mandadas para a India, o que documentam as denunciações do Santo Oficio.

Para o Brasil e para a Europa, o século XVI fora o do pau-de-tinta, das anilinas, por assim dizer; o século XVII foi o do açúcar. Nas primeiras décadas do centenário, o desenvolvimento da indústria açucareira se tornou impetuoso[53]. Em 1610, segundo um viajante observador, era o único meio de vida [54]. Os preços subiam ao ponto de criar nos senhores de engenho esse delirio de gastos, grandezas e luxo, que vimos contemporaneamente nos donos de seringais da Amazônia e nos fazendeiros de café ... É o que dizem os cronistas: Cardim, Soares, Barlaeus, Frei Vicente. Segundo os estudos de J. Lúcio de Azevedo [55], em 1610, a produção de açúcar foi de 735 mil arrobas, no valor de 1500 contos, soma respeitável para a época.

O trabalho braçal do escravo, a fortuna dos fidalgos e sua iniciativa, bem como as de outros portugueses cristãos, criaram no Brasil o Empário do Açúcar [56]. Nas trevas, unidos os de Portugal, os da colonia nascente e os da Holanda pelos seus Kahals, os judeus exploram essa riqueza como intermediários, armadores, especuladores, fornecedores de capitais, onzeneiros cruéis [57]. Mas isso ainda não é bastante para eles:precisam apoderar-se do empório, dominá-lo completamente, fazer pesar sua mão-de-ferro sobre os ricos e senhores de engenho, orgulhosos de sua linhagem e de sua crença, e tirar vingança dos soberanos peninsulares, arrancando precioso florão de sua coroa. Os  Estados Gerais da Holanda, regorgitando de ouro judaico58, podiam iniciar a desagregação do império colonial luso-espanhol, conquistando o Brasil, terra do açúcar, e Angola, terra do escravo que plantava a cana, aquém e além Atlântico. Que têm sido sempre o judeu senão o fermento desagregador dos impérios e das civilizações? Ele faltaria ao chamamento do seu destino, se não tentasse abocanhar o empório do açúcar, com expedições pagas e companhias organizadas com o dinheiro ganho com o próprio açúcar...


__________NOTAS__________ 

 

13 Solidonio Leite Filho op. cit. pag. 39.
14 "Livro de Centenário", I, 42 carta de Américo Vespúcio a Pedro Soderini.
15 O grifo é nosso. 0 historiador diz adivinhara, porque não se lembrou do espião Gaspar da Gama, que veio reconhecera terra e levou, em 1501, informações à sinagoga lisboeta. Em 1503, o pau-de-tinta já estava sendo carregado!
16 Pedro Calmon, "História da civilização Brasilei ra", ed. da Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1933, pág. 12.
17 Chamberlain,"Die Grundlagen desneunzehnten Iahrhunderts".
18 Rodolfo Garcia, "Os Judeus no Brasil Colonial" in "Os judeus na História do Brasil", págs. 13, 14 e 41, ed. dovendedor de livros judeu Uri Zwerling. Este isra_e lita fez o livro como propaganda judaica, mas, muito ignorante, coitado! aceitou o que lhe quiseram dar ea obra é um repositório de documentação anti-judaica.
19 Cf. João Ribeiro, "História do Brasil", pág. 78.
20 Solidônio Leite Filho, op. cit. pág. 46.
21 Vide "Primeira visitação do Santo Ofício às par tes do Brasil" pelo licenciado Heitor Furtado de Mendonça, ed. de Paulo Prado, 1922, 1925, 1929.
22 Loc. cit. pág. 10.

23 Solidônio Leite Filho, op. cit. pág. 40. cf.W. Sombart "Oie Juden in des Wirtchafts'eben, pág. 34.
24 Peragalo, "Memória do Centenário", pags 83-84.
25 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 40. (14) Idem.
26 Pedro Calmon, op cit págs 13-15.

27 Idem pag. 14.
28 Varnhagen, "História Geral do brasil", pág. 145. Solidônio Leite Filho op. cit. pág 41.
29 Pedro Calmon, op. cit. pág. 13.
30 Varnhagen, "Antonio José da Silva" in "Revista do Instituto Histórico", vol. IX pág. 114.
31 Solidonio Leite Filho, op. cit. págs. 41-42.
32 Dr. Isaque Izeckson; "A contribuição judaica na formação da nacionalidade brasileira", in "Almanaque Israelita do Brasil", 5695-96, 1935 pág. 5.

33 "Almanaque Israelita do Brasil": O trabalho sobre o Kaf de João Ramalho a que o autor se refere com essa fingida displicência é o erudito volume de Horácio de Carvalho "0 Kaf de João Ramaïho" tip. do "Diário Oficial", S. Paulo, 1903, com prefácio de Teodoro Sampaio . É uma obra admirável que revela os segredos da cabala judaica.
34 A obra de Argeu Guimarães intitula-se: "Os cristãos-novos portugueses na América Espanhola". Sobre os peruleiros e o tráfico da prata, vide "Diálogos da Grandeza ", ed. da Academia Brasileira, pág. 37 e 144;

35 Pedro Taques, "Nobiliarquia Paulistana", ed. de Escragnolle Taunay, I, 245; Pedro Calmon, "História da Civilização Brasileira", cap. o caminho do perú, págs. 76 e 77. De acordo com a documentação reunida por Alcibíades Furtado em "Os Schetz da Capitania de S. Vicente", Rio de janeiro, 1914 creio que há um certo feitor judaico nessa dinastia de homens de negócios. Tinham casa bancária em Antuérpia sob a firma Erasmus ende Sonen, Erasmo & Filhos, Erasmo comprou as partes da capitania de 5, Vicente de Martin Afonso e do piloto Francisco Lobo. Os Schetz estavam ligados ao banqueiro João Venistre ou Wenix de Lisboa. Um filho de Erasmo, Gaspar Schetz foi tesoureiro de Felipe II nos Paises Baixos. O Rei o enobrecera com títulos e senhorios, o que os reis costumavam fazer com seus ecônomos judeus. Os filhos de Gaspar manejavam cabedais em Bruxelas.
36 "Publicações do Arquivo NacionaV, vol. xiv, 200; Ferrind Donnet. "Notes à Llhistoire des emigrations des
anversois".
37 Pedro Calmon, "História da Civilização Brasileira", pág. 18.
38 Capistrano de Abreu, nota a Porto Seguro, i, 230-1.
39 Pedro Calmon, op. cit. 19. Valia a pena vencê-las. Os lucros eram convidativos. Em 1699, um quilo de açúcar valia 2 mil réis no porto da Bahia, "preço fabuloso para época". Cf. Escragnolle Taunay, "Na Bahia Colonial", separata da "Revista do Instituto Histórico Brasileiro", Imprensa Nacional, Rio de janeiro, 1925, pags. 303.

40 Edição da Academia Brasileira, pág. 33.
41 Frei Gaspar da Madre de Deus, "Memória para a História da Capitania de S. Vicente", ed.-Taunay, pág171
42 Data de longe o internacionalismo do capital judaico ...
43 É bem claro, manifesto, o papel do judeu como intermediário. os grifos em toda citação são nossos.
44 Velha e conhecidíssima técnica. A história precisa ser lida às vezes, nas entrelinhas. Quanto segredo
escondido! "Fundemo-nos todos em haver dinheiro, porque, quer seja nosso, quer seja alheio, é Deus verdadeiro".
Gil vicente "Obras", ed. Mendes dos Remédios, tomo I pág. 182.
45 Pedro Calmon, op. cit. pág. 19.
46 As visitações do Santo Ofício citadas e o livro de Mário Sáa. "A invasão dos judeus", demostram a permanência do judaísmo e do judeu dentro das populações de Portugal e do Brasil. Em 1714, o viajante Frezler observa que a devoção religiosa na Bahia servia "para capear o judaísmo," pois estava a Bahia repleta de judeus. "Havia bem pouco, depois de longos anos"de falsa devoção exterior, fugira subitamente para a Holanda um vigário carregando as alfaias de sua igreja e, uma vez ali, chegado, mostrara o que era, correndo à sinagoga". Taunay. "Na Bahia Colonial", pág. 345.
47 Solidonio Leite Filho, op. cit. pags. 47-48.

48 Rodolfo Garcia, loc. cit. pág. 49
49 Idem pág. 20.
50 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 48.
51 Rodolfo Garcia, loc. cit. pág. 18
52 Solidonio leite Filho, op. cit. pág. 49. Os portugueses da Bahia eram geralmente de raça judia, observou o viajante Froger, no fim do século XVII. Cf. Taunay, "Na Bahia Colonial, pág. 291. Por isso, antes dele, diz outro viajante, Pyrard de Laval, eram na maioria, criminosos ou falidos. Como a indústria judaica de falência é antiga! Cf. op. cit. págs. 251.
53 Pedro Calmon, op. cit. pág. 79.
54 Pyrard de Laval, "Voyages", Paris, 1615, pág580.
55 "Épocas de portugal Economica, pág. 271
56 Vide as acusações do judeu João Nunes: Largo de consciencia", me matéria de usura, in Rodolfo Garcia, loc. cit pág. 17.
57 Pedro Calmon, op. cit. pág. 52.

58 "A influência dos negociantes israelitas estendia-se ao engenho produtor, à firma embarcadora, ao intermediário de Lisboa a quem era consignada a mercadoria, às praças consumidoras do centro e do sul da Europa. quando a Espanha se colocou de permeio entre os engenhos do Brasil e os compradores flamengos, estes imaginaram a organização de uma companhia-mercantil de conquista e empreendem a guerra de 1624-1654". Pedro Calmon, "Espirito da Sociedade Colonial Companhia Editora Nacional São Paulo, 1935, pág. 36. Cf. Frei Vicente do Salvador, História do Brasil, 3ª ed. pág. 404.

 

CAPITULO III

O tráfico de carne humana

 

DEPOIS de haver sido a terra do pau-de-tinta, o Brasil era o açúcar e o açúcar era o negro, afirma documentado historiador de nossos dias [59]. Está de acordo com o velho cronista Antonil que assegura serem os escravos pés e mãos dos senhores de engenho [60]. É a mesma opinião que se encontra no Breve discurso sobre o estado daí quatro capitanias conquistadas": sem escravos,os engenhos não podiam moer. Monocultura latifundiária, a da cana de açúcar, exigia enorme massa de escravos [61]. Florescia, pois, o comércio de carne humana à medida que prosperava a Indústria açucareira. O suor do negro cimentava a riqueza do segundo ciclo da colonização. Ligados, o comércio de escravos e a produção do açúcar, acabariam caracterizando toda a economia ultramarina [62].

A escravização do indio, tupi ou gé, realizada a principio brutalmente; depois, legalizada pelas famosas cartas-régias, pelos alvarás e provisões das guerras de corso e pelas condenações ao cativeiro [63], não satisfez as exigências de mão-de-obra para o plantio e moagem da cana.

O indio furtava-se pela fuga, pela resistência, pela selvatiqueza e pela própria morte ao trabalho braçal, ao papel forçado de coolie a que o colonizador o queria submeter. Era inadaptável e indomável. Morria aos montões, de clara o padre Antônio Vieira. E sua captura custava maior desperdicio de gente e de esforços do que a obtenção do transporte dos negros da Africa [64].

Demais, o catequizador, alçando a cruz, defendia o indigena e o aldeava. Por isso, segundo Gilberto Freyre, os jesuitas eram "inimigos terriveis dos senhores de engenho [65]". A luta entre padres e escravizadores foi longa e áspera. Começou em Piratininga com o judeu cohen João Ramalho e terminou, infelizmente, com a vitória dos escravizadores. Foi mais acesa em São Paulo, porque ali o sitio merecia melhor acolhida à imigração judia [66]. No Norte, os senhores de engenho viviam endividados [67], presos à usura judaica. O judaismo os manobrava e forçava a lançar mão do operário africano, que os negreiros, também enfeudados a Israel, iam buscar do outro lado do oceano Atlântico.

Assim, desde os albores do ciclo do açúcar, começou o emprego da mão-de-obra negra. O horror à atividade manual e a instituição do trabalho escravo, ambos caracterizadores das colonizações peninsulares, tiveram como primeiros impulsionadores os judeus de Portugal [68].

A metrópole estava sob o dominio judaico, que se exercia através de uma rede de créditos, do giro de fundos, das alianças de sangue, do exercicio dos cargos técnicos, da usura, da agiotagem, da corrupção, da própria influência dos médicos, na quase totalidade hebreus, no seio das familias, influência que contrastava até a dos capelões, curas e confessores [69]. Ali, desde o recuado tempo das monarquias visigóticas, os judeus haviam se especializado no comércio de escravos [70]. O que estava de pleno acordo com o código judaico CHOSCHEN HAMISCHPOT, em 227,26

"É permitido explorar um não-judeu, porque está escrito que não é permitido explorar seu irmão [71]. Como negar ainda a intromissão judaica no tráfico de carne humana, quando um judeu de nota declara textualmente que: Não há exagero em afirmar que não há quase fato histórico de importância nos quatrocentos anos de vida nacional, no qual não tenham influido ou colaborado, ás vezes proeminentemente, elementos de raça hebraica [72]. Ora, que fato de maior importância histórica para nós do que a escravidão? O comércio de escravos é tão fundamentalmente semita que sempre foi denominado tráfico fenicio".

Visando os lucros fáceis do comércio de escravaria, por si e pelos seus prepostos, a judiaria de Espanha e Portugal se entregou ao tráfico. Toda a Europa, depois seguiu o horrivel exemplo [73]. O açúcar exigia braços negros para enriquecer o judaismo sem entranhas, que manobrava a sua produção e seu comércio, tanto nas praças da metrópole lusitana como nas bolsas das cidades flamengas.

Os judeus portugueses, na quase totalidade, possuiam cabedais nas companhias mercantis dos Paises-Baixos[74]. Uma simbiose de interesses e finalidades unia as sinagogas de Lisboa e do Porto às de Roterdam, Amsterdam, e Antuérpia. As Flandres protestantes e revés à casa de Austria eram o refúgio natural do ouro judaico e das pessoas judaícas, as quais tinham suspenso sobre a cabeça, contínuamente, na Peninsula, o gládio vingador do Santo Oficio. Há uma correspondência constante entre o judaismo que age no Mar do Norte e o judaismo que age no estuário do Tejo. Dentro da história dos tempos coloniais, é impossivel tratar de um sem ter o outro em conta. Ambos se articulam no sentido vingativo de destruir a riqueza, de abater o prestigio e de minar a força dos reis católicos. Um dia, quando as circunstâncias se mostrarem favoráveis, com as armas dos mercenários holandeses, os judeus se lançarão sobre a presa cobiçada. Amsterdam, declara o escritor judeu E. Eberlin, era uma Nova Jerusalém, onde se haviam acolhido os israelitas expulsos da Espanha em 1492, de Portugal em 1497 e 1498, de Nápoles em 1519, de Gênova e Veneza em 1550 [75]. A sua sinagoga chamava-se Casa de Jacob e foi célebre.

O negócio de escravos se torna o mais lucrativo e amplo da terra" [76]. Régulos e sobas de Dahomey, de Angola, da Serra Leoa, do Congo e da Guiné vendiam os prisioneiros capturados em suas razzias bestiais ou os próprios compatriotas condenados, por certos crimes, à escravidão. Vendiam-nos por búzios que serviam de moeda, por fumo em corda, por um galão de aguardente. Três rolos de fumo bastavam para pagar um negro forçudo. Com essa massa negra se atulhavam os infectos porões dos horrendos navios negreiros. E cada escravo custava no Brasil, nos primeiros tempos, 150 a 200 mil réis. Na segunda metade o século XVI, começou o infame negócio, que durou três séculos. Trouxeram negros da Guiné, do Congo, de Angola, doSenegal, do Sudão, da Hotentócia e de Moçambique. O grande entreposto era a baía de Cabinda [77]. De 1575 a 1591, somente de Angola vieram 52.053, favorecidos por uma redução de direitos [78]. Barbinnais calcula as entradas de escravos em 15 mil anualmente [79].

Segundo o alvará de D. João III, de 29 de março de 1549, cada senhor de engenho "montado e em estado de funcionar" podia receber 120 negros da Guiné e São Tomé [80]. Para mostrar a quantidade de negros introduzida no Brasil, basta dizer que a população total do pais em 1798, era computada em 3.250.000 habitantes, sendo escravos 1.361.000; em 1818, em 3.817.000, sendo escravos 1.728.000! O comércio judaico de carne africana corre parelho com o comércio judaico do açúcar. Pero de Magalhães Gandavo calcula, no seu tempo, a produção açucareira anual de 6 a 10 mil arrobas [81]. No século XVII, o mascavo valia 20 shillings a arroba [82]. Um negocio da China, obtido pelo braço negro com a direção e iniciativa do reinol ou do ilhéu agricola, que encheu de ouro a judiaria luso-flamenga!

Desde que o judeuzinho de Goa, o inconstante e ladino Gaspar da Gama, desceu no primeiro bote da armada de Cabral em Porto Seguro e foi, talvez, o primeiro a desembarcar [83] reconhecendo a nossa terra antes de todos - E com certeza, verificando a existência do lenho que os naturais chamavam ibirapitanga, o pau-vermelho, já encontrado pelos castelanos nas suas conquistas [84]; desde o alvorecer do Brasil, o judaismo o explorava. Primeiramente, tomou conta da indústria extrativa do pau-de-tinta; depois dominou a do acúcar e o negócio de escravos, do qual ela dependia. Com este, além de se engorgitar de ouro, ainda conseguiu a formação de uma sociedade fácil de ser dominada através da depravação social que fatalmente decorre da passividade da escravidão. Quantos proveitos num saco?

Na sua ânsia de tirar desforra dos reinos católicos da Península, onde eram, de certa maneira vigiados e, uma vez por outra, perseguidos, os judeus procuraram firmarse bem nos países protestantes do Norte e, com suas armadas e soldados, desferir golpes mortais no poderio colonial peninsular. As rivalidades entre Inglaterra e Castela, Holanda e Portugal, foram criadas, desenvolvidas e exploradas pelo judaísmo. Enquistados, primeiramente, nos Paises-Baixos, procuraram, depois, penetrar na Inglaterra, de onde outrora haviam sido expulsos por exigência dos po vos cansados de suas traficâncias. Haviam participado dá revolução de Cromwell por portas travessas, como sempre, tirando a sardinha com a mão do gato. Aliás, na opinião de grande publicista judeu, foi o espírito judaico que triunfou com o protestantismo [85]. As colônias judaicas, de Hamburgo e da Holanda, compostas de "marranos escapos à Inquisição espanhola", como escreve Bernard Lazare, acharam meios de se entenderem com o governo do Protetor, a fim de poderem os judeus voltarem à Inglaterra, de onde, há séculos, tinham sido banidos [86].

Encontraram facilidades no caminho. Em primeiro lugar, existiam "incontestáveis afinidades" entre o espírito mercantil do judeu e o espírito positivo do inglês,"cujo caráter, diz Emerson, pode ser reduzido a um dualismo irredutível, que fez desse povo o mais sonhador e o mais prático do mundo, o que igualmente se pode dizer dos judeus [87]". Depois, que é o puritanismo, no apogeu do poder de Cromwell? Sombart diz que é o mesmo que o judaísmo [88]. Macaulay considera os puritanos judaizantes fanáticos que se encerravam nas doutrinas e práticas do Antigo Testamento, única fonte, para eles, da vida religiosa, civil e política [89]. Taine sente neles o farizaísmo estreito90, embora lhes reconheça a grave e rude energia semi-bárbara dos nórdicos. Aliado ao judaismo, o puritanismo setentrional, na opinião de Vermeil, construirá o mundo  moderno. No seu pensamento dogmático, os bens materiais são um dom de Deus e é a própria reliqião que inspira e encoraja o espírito empreendedor aventureiro [91]. E, afinal, Cromwell ia se tornar o protetor dos judeus e do judaísmo na Inglaterra.

"Nenhum homem no mundo, entre os não-judeus, estava mais imbuído de judaismo do que Cromwell; nenhum terá, tal vez, contribuído mais para a judaização da civilização mo derna no mundo inteiro. Cromwell é o profeta no sentido hebraico da palavra, o profeta que não hesita em se pôr à testa dos descontentes e a dirigir a revolução, buscando suas inspirações e justificações na bíblia, profundamente convencido de ser o eleito de Deus, o instrumento da Divina Providência [92]". O maior instrumento de aproximação entre os judeus holandeses e hamburgueses, quase todos de origem lusa, e Cromwell foi o célebre Manassé-ben-Israel, que se serviu dos bons ofícios do cristão Edward Nicolas. Os sentimentos nacionais eram vivamente contrários à entrada dos judeus no país, apesar do puritanismo das hostes do Protetor e das inclinações pessoais deste. O parlamento opôsse. Depois de dissolvido, Manassé voltou a insistir. Enfim, os judeus "fixados à margem do rio Tâmisa, tinham amigos, parentes e espiões em todas as comunidades (Kahals) do continente. Demais, havia-os nas colônias e por toda parte.

Por meio dessas mil inteligências, toda a diáspora estava a serviço de Cromwell. E, sobretudo, dispunha do poder do ouro [93]".

Outro judeu que muito serviu nas negociações para a entrada dos israelitas na Inglaterra foi aquele circuncidado natural da terra portuguesa de nome Manuel Martins Dormido, que emigrara para as Flandres e lá passara a chamar-se Avid Abravanel. Ele "fez penetrar no convencimento de Cromwell as vantagens em aceitar os judeus naquele pais, dando-lhes todas as liberdades de culto... O judeu errante achou acolhimento na Grã-Bretanha. E é hoje a Sinagoga de Londres que exerce hegemonia em todo o mundo sobre o povo de Israel [94]". Seu descendente, Salomão Dormido, foi o primeiro corretor da Bolsa de Londres.

O ouro judaico, obtido em maior parte nos comércios, e indústrias resultantes dos descobrimentos e conquistas dos peninsulares, mudava de pouso ao sabor dos intereses da gente sem pátria, criando e desfazendo hegemonias. O século XVII é o grande século do comércio negreiro. Os judeus vão exercê-lo manobrando habilmente por trás do governo inglês conquistado desde Cromwell, de cujas boas graças dispusera à vontade o riquíssimo Antônio Fernandes Carvalhal, o Rotschild da época. Em 1560, escreve Gina Lombroso, de raça judaica, baseando-se em fontes inglesas, a Inglaterra toma à Espanha "o comércio que mais lucros lhe iria dar", o dos escravos [95]! "Os navios ingleses são os navios negreiros por excelência e enxameiam a receber a carga infame nas abras e enseadas da costa da Guiné. A moeda inglesa Guinéu guarda a memória do tráfico de carne preta [96].  0 governo britânico recompensa com títulos nobiliárquicos os grandes  negreiros. João Hawkins, por exemplo, é elevado a baronete pelo impulso dado ao comércio de escravos [97].


Os cuidados da judiaria inglesa, alarpadada à sombra do governo real, pelo vil e rendoso negócio, se manifestam a cada passo, durante séculos, nos tratados diplomáticos. Pelo tratado de Utrecht, em 1713, a Inglaterra consegue o monopólio do comércio de escravos por trinta anos. Pelo tratado de Paris, seguido da Paz de Quebec, em 1763, a Inglaterra obtém o direito de ancorar navios em Porto Franco e Porto Belo, nas Antilhas, bases de contrabando e do "monopólio do tráfico para América do Sul [98]" Em 1799, o ministro Cannig declara, sem pejo, ao parlamento, com todas as letras, que efetivamente, a Grã-Bretanha "exercia o monopólio do tráfico". Mais tarde, a confissão de Benjamin Disraeli, primeiro ministro, nos dará a conhecer que não era a Inglaterra, mas os judeus governando-a e servindo-se dela...

No século XIX, mal o Brasil se tornou independente de Portugal, a Inglaterra esqueceu que havia exercido o infamante monopólio do comércio de carne humana, que o havia advogado e defendido com unhas e dentes, que o havia consagrado nos tratados internacionais e nas discussões do parlamento, e começou a fazer da sua supressão, em nome da humanidade,"uma questão de honra". Contra o Brasil fraco, desarmado, ameaçou até empregar a força [99]. É que ao judaísmo do Kahal londrino, dominador do mundo, não convinha se desenvolvesse na América do Sul um grande império, sendo necessário, para entravar-lhe o progresso desde logo, diminuir-lhe a mão-deobra e desmantelar-lhe a economia.

Nos bons tempos do século XVII, a Inglaterra não fora tão humanitária. O judaísmo angloholandês enchia-se com o ouro do açúcar produzido pelo suor do escravo e com o ouro do preço do escravo. O açúcar vinha de Pernambuco. O negro que o produzia vinha de Angola. Um e outro lado do Atlântico tropical davam o mesmo resultado: ouro! Não seria melhor, ao invés de continuar ganhando como intermediário e fornecedor de mão-de-obra, tornar-se o dono incontestado das duas fontes de riqueza? Os ganhos se multiplicariam. A esse pensamento, a cobiça do judaísmo se alvoroçou. Os estados-maiores das sinagogas estudaram a questão e, ajudados da política européia em que influíam, lançando protestantes contra católicos e vice-versa, decidiram o golpe. A conquista do Nordeste brasileiro e de Angola e Luanda pela companhia das Indias Ocidentais revela um plano judaico de grande envergadura. A documentação histórica mostra-o na sua limpidez. O conde de Nassau, fidalgo alemão a serviço do Kahal, quando toma o lugar de preposto ou procônsul da colônia judaica de Pernambuco, traz com escopo principal, tornar o Recife "o centro distribuidor da escravaria [100]".

Logo em 1640 ou 41, uma expedição mandada do Brasil holandês se apoderava de São Paulo de Luanda [101]. Então, o tal centro distribuidor de escravos pode funcionar do seguinte modo: as urcas holandesas saíam dos portos da Zelândia ou do Texel em demanda da África, enchiam os infectos porões de escravos e vinham de rota batida para Pernambuco, de onde voltavam à Holanda, carregadas de açúcar [102]. Cada viagem redonda, ida e volta, era, assim, admiravelmente aproveitada para os lucros judaicos. O negócio de escravos rendia por ano aos judeus holandeses a respeitável soma de 6 milhões de florins!

Em 1703, o tráfico judaico de escravos para o Brasil era de tal importância que, entre a Bahia e a África, retomada aos holandeses, mais de 200 brigues ou bergantins nele eram empregados [103].

 

 

CAPITULO IV

A pirataria e a conquista